Durante muito tempo, o mercado cripto foi associado principalmente à negociação de ativos digitais e à busca por retornos financeiros. Para a Bitso, esse ciclo começa a dar lugar a outro movimento: o uso da tecnologia como infraestrutura para resolver problemas financeiros reais.
Durante o Web Summit Rio 2026, Nicolás Alonso, Country Manager da Bitso no Brasil, conversou com a TI Inside sobre o momento da companhia, a evolução regulatória do mercado brasileiro e como stablecoins começam a ocupar um papel mais próximo de trilhos financeiros do que de instrumentos especulativos.
Segundo o executivo, ainda existe um desconhecimento importante sobre o posicionamento atual da companhia.
"Por um lado, somos um grupo de instituições financeiras que oferece serviços tradicionais, contas de pagamento, PIX, investimento e câmbio. Por outro lado, somos a maior exchange cripto da América Latina", afirmou.
Na visão da empresa, o diferencial está justamente na integração dessas duas camadas.
"Em uma plataforma só você consegue investir em cripto, pagar, receber e enviar dinheiro para o exterior", explicou.
Essa estratégia acompanha um momento de expansão da companhia. Hoje, a Bitso ultrapassa 10 milhões de clientes na América Latina, crescimento de aproximadamente 700% em relação a 2015, e multiplicou por cinco o volume de ativos sob custódia no período.
Stablecoins começam a resolver problemas que o sistema tradicional não resolvia
Ao longo da conversa, Alonso trouxe um exemplo que, segundo ele, ajuda a explicar como a companhia enxerga a adoção prática dos ativos digitais.
Segundo o executivo, um dos casos de uso recorrentes envolve famílias brasileiras que enviam recursos para filhas estudando medicina na Argentina.
Com restrições históricas do sistema financeiro argentino, a operação tradicional de remessa acaba gerando atritos.
A alternativa encontrada por parte desses usuários foi utilizar stablecoins como ponte financeira.
Segundo Alonso, nesse fluxo o cliente brasileiro compra stablecoins pelo aplicativo, transfere para uma conta da Bitso Argentina e realiza a conversão local para moeda corrente. "Esse é o tipo de caso de uso que estamos trazendo para mostrar o que já está sendo possível construir", afirmou.
Regulação mudou postura do mercado
Outro ponto destacado pelo executivo foi a mudança de percepção do mercado brasileiro nos últimos meses.
Segundo Alonso, antes da consolidação das regras locais muitos bancos e instituições ainda evitavam avançar em produtos ligados ao universo cripto.
Mas esse cenário começou a mudar. "O ano passado começamos a bater na porta dos principais bancos brasileiros e muitos disseram que ainda não estavam preparados", afirmou.
Segundo ele, após o avanço regulatório esse movimento começou a mudar. "O Banco Central emitiu regulamentações e esses bancos começaram a voltar para conversar", afirmou.
Na avaliação do executivo, o amadurecimento regulatório reduz incerteza e cria condições para construção de modelos de negócio de longo prazo. "Quando as regras do jogo ficam claras você consegue estruturar o negócio para o futuro", afirmou.
Bitso quer ocupar espaço entre bancos e nova economia digital
Segundo Alonso, a empresa investiu tempo e recursos para construir relacionamento próximo com reguladores brasileiros e desenvolver operações aderentes às exigências locais.
A companhia também pretende ampliar iniciativas de educação de mercado e compartilhar conhecimento regulatório com parceiros e clientes.
Hoje, a operação brasileira já soma aproximadamente 500 empresas atendidas no segmento B2B e mais de 200 mil usuários no segmento B2C.
O crescimento, segundo o executivo, permanece acelerado. "Estamos crescendo aproximadamente entre 10% e 15% por mês", afirmou.
Em volume financeiro, a empresa informou ter processado US$ 2,2 bilhões em transferências em 2025 e registrado US$ 11,1 bilhões em compras de stablecoins ao longo do ano.
Cripto deixa de disputar espaço com bancos e começa a operar junto deles
Ao completar 12 anos, a Bitso parece tentar se posicionar menos como uma empresa de ativos digitais e mais como uma camada financeira regional.
Essa transição aparece na própria trajetória da companhia: participação na formulação da Lei Fintech no México, expansão para Brasil, Argentina e Colômbia, processamento de aproximadamente 10% das remessas entre Estados Unidos e México via Bitso Business e ampliação para produtos de investimento.
Na leitura apresentada por Alonso, o próximo ciclo da indústria não será definido por quem oferece mais ativos.
Será definido por quem conseguir transformar movimentação de dinheiro em uma experiência mais simples, global e invisível para o usuário final.
.png)
há 1 semana
19




English (US) ·
Portuguese (BR) ·