IA impacta requisitos de rede, eficiência e receitas em telecom

há 2 semanas 21
Foto: Teletime Tec

A inteligência artificial (IA) tem potencial de impactar receitas e a eficiência operacional das empresas de telecom, mas também vai representar desafio para o setor na forma de novos requisitos de rede e capital humano.

É o que apontaram operadoras e fornecedores de telecom durante o TELETIME Tec, evento promovido em São Paulo na última quinta-feira, 11. As três frentes que tem marcado a interseção de telecom e IA foram citadas por Carlos Roseiro, diretor de marketing ICT da Huawei.

Nos requisitos de rede, uma das principais exigências será um uplink (subida) de dados mais robusto. Nas redes móveis atuais, a proporção entre a velocidade de uplink e downlink seria de 1:9, afirmou Roseiro. Até 2028, a empresa espera que a relação caia para 1:3.

Na frente da eficiência, a Huawei vê potencial diverso no cotidiano operacional das operadoras e tem atuado para "produtizar" formas de adoção da IA, inclusive a partir de agentes da tecnologia operando sobre sistemas de operação de rede (OSS) da fornecedora.

A IA agêntica também é parte do caminho para novas receitas, avalia Roseiro – que vislumbra teles atuando como agentes no celular dos assinantes. Uma possibilidade é permitir que o cliente defina o nível de experiência em determinadas aplicações, com ajuda de gerenciamento suportado por IA.

Ainda no campo das receitas, há a possibilidade de substituir a venda de bits trafegados por modelo baseado em tokens como medida do processamento com inteligência.

Roseiro relatou que operadoras chinesas têm explorado o formato e oferecido a contratação por quantidade de tokens, após investirem em infraestrutura de IA agregada com conectividade.

Dados e talentos

Patrícia Pasquali, CDO da Nio, destacou talentos e dados como alguns dos pilares para a trajetória de IA das operadoras de telecom.

Na empresa, a estratégia passa por um data lake (que tem o Google como parceiro), considerado o cérebro para inteligência da operação. Mais de 200 pessoas usam o recurso para suporte da área de negócios.

Em paralelo, cerca de 400 colaboradores já foram treinadas pela operadora em inteligência artificial. Segundo a CDO da Nio, profissionais altamente qualificados em IA têm sido cada vez mais importantes dentro das estruturas corporativas.

Já na operação da banda larga, a IA pode beneficiar a retenção de clientes e o gerenciamento preditivo de equipamentos, como roteadores Wi-Fi. Segundo Pasquali, com a identificação de padrões será possível identificar os mínimos detalhes que afetam a performance de serviços.

Modernização

Já Anderson Jacopetti, CTO da Alares, destacou que a empresa de banda larga tem inserido gradativamente a IA em processos essenciais, como atendimento e operação de rede.

A tecnologia também é um dos motivadores para modernização de infraestrutura de rede que ajudará a provedora a cumprir requisitos mais exigentes.

No momento, a operadora está concluindo uma modernização da camada de core (núcleo) de rede, com interfaces preparadas para chegar a 1,6 Tbps por canal, relatou Jacopetti.

Antes a empresa já havia realizado modernização da camada de borda (edge), que conecta com grandes provedores de nuvem, e agora prepara a atualização da camada de acesso, que se tornará mais preparada para absorver múltiplos dispositivos.