A Nokia deve disponibilizar comercialmente a partir de 2027 novos rádios para telefonia móvel equipados com unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia, gigante do setor de IA que se tornou sócia minoritária da fornecedora no ano passado.
A informação foi confirmada pelo diretor geral da Nokia no Brasil, Hugo Baeta, durante encontro com jornalistas em São Paulo nesta terça-feira, 16. O lançamento da tecnologia (hoje em fase de testes ao lado de operadoras ao redor do mundo) faz parte da estratégia atualizada da fornecedora, que tem a inteligência artificial no centro.
Ao embarcar cartões capacitados com GPUs da Nvidia no hardware de telefonia, a Nokia vislumbra uma descentralização das capacidades de processamento de IA. No modelo, a atividade ocorreria nas "bordas" da rede, incluindo na própria estação rádio base (ERB) das operadoras.
Segundo Baeta, isso permitiria novas funcionalidades tanto para as redes de teles (ao viabilizar ganhos de eficiência) quanto para clientes corporativos – que poderiam contratar serviços de inferência de IA a partir do processamento descentralizado.
A Nokia também minimizou o risco de furtos e vandalismo quando os chips avançados começarem a ser instalados em ERBs, argumentando que a tecnologia não é de propósito geral e não serviria para outros casos de uso.
"A GPUs do AI-RAN serão específicas para ambiente de redes móveis, e diferentes da GPU de um grande data center. Não só no tamanho físico, mas no potencial de processamento e de consumo de energia, que serão controlados", afirmou Baeta.
5G e 6G
Segundo o executivo, o processo de atualização para rádios equipados com GPUs pode começar já com o 5G Advanced, abrindo uma trilha que teria como próximo passo a chegada do 6G.
Como a sexta geração de redes móveis deve depender menos de atualizações de hardware do que as famílias anteriores, as GPUs são inclusive consideradas um elemento central na geração de valor do próximo ciclo entre fornecedoras, ao lado de recursos do software.
A Nokia, contudo, não enxerga riscos do mercado de hardware para acesso via rádio passar por uma estagnação no Brasil nos próximos anos (como é ventilado globalmente), por conta das mudanças na indústria .
"Talvez as taxas de crescimento comecem a variar, mas hoje ainda existem várias áreas no Brasil pouco atendidas. E ainda tem uma quantidade importante de redes 4G que ainda não foram para o 5G", afirmou Baeta – que também reportou participação da Nokia em projetos de operadoras regionais.
Data centers
No primeiro trimestre de 2026, o crescimento de receitas reportado pela Nokia globalmente já teve como grande impulso o segmento de data centers. No Brasil, o movimento está em fase mais inicial do que em mercados maduros, mas a demanda já começa a se materializar.
Aos jornalistas, Baeta destacou diferenciais competitivos do País na temática, como a matriz energética abundante e majoritariamente limpa, além da capilaridade das redes de fibra óptica. A chegada de diversos sistemas internacionais de cabos submarinos ao Brasil também é considerada trunfo.
Neste sentido, a Nokia se considera bem posicionada para atuar tanto na comunicação dentro do data center como na interconexão entre diferentes centros de dados, mercado este que tem crescido.
"Os data centers movimentam todo o ecossistema", apontou Baeta, citando projeto de modernização ao lado da Eletronet como exemplo de demanda que deriva do ciclo de IA. O portfólio da Infinera (empresa adquirida pela Nokia em 2025) também tem contribuído na estratégia.
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há 1 semana
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