A AMD esquentou a disputa no mercado de data centers ao divulgar que seu futuro processador EPYC Venice, equipado com a arquitetura Zen 6 e 256 núcleos, seria capaz de entregar até 3,3 vezes mais desempenho que a CPU NVIDIA Vera. Com isso dito, os números são estimativas feitas de forma complexa, sendo ideal aguardar por comparativos mais adequados.
Embora a apresentação mire no setor de Inteligência Artificial, os benchmarks escolhidos refletem cargas de trabalho tradicionais de servidores corporativos. O grande destaque foi o SPEC CPU 2017, focado em processamento de números inteiros. A bateria de testes simulados também incluiu ferramentas essenciais para a infraestrutura de TI, como:
- SPECjbb 2015 (servidores Java)
- WRK Tool (servidores web NGINX)
- Redis e Memcached (operações em memória e cache)
- TPROC-C (bancos de dados MySQL)
Usando a NVIDIA Vera como base, a AMD indica que sua atual geração EPYC 9005 Turin, com 192 núcleos Zen 5c, já conseguiria superar a rival do time verde em 2,37 vezes. A próxima geração EPYC Venice, com 256 núcleos Zen 6c, estenderia essa liderança para 3,3 vezes.
No entanto, o processo do time vermelho para chegar a esses resultados é complexo e até um tanto confuso: o cenário é uma projeção, e considera uma infraestrutura de rack com um limite de energia de 100 kW, em vez de ser feita uma análise por CPU. Mais do que isso, a própria fabricante admite que os dados são estimativas baseadas em modelagem matemática, e não testes físicos em racks completos.
Como não teve acesso ao hardware da concorrente, a AMD utilizou resultados do chip NVIDIA Grace, antecessor da Vera, e aplicou um multiplicador de 1,63x. Para o seu próprio lado, a empresa estimou o desempenho da linha Venice, que ainda não foi lançada, ao aplicar um ganho de 1,7x sobre a atual geração EPYC 9965, somado a testes internos.
Os cálculos definiram quantos nós duplos (sistemas com dois soquetes) caberiam no limite de 100 kW e multiplicou a performance individual. No fim das contas, a comparação direta não deve ser levada com afinco, já que em cenários reais o ganho de performance não escala de forma linear devido a gargalos térmicos, restrições de energia e limites de interconexão.
A única vantagem clara está na contagem de núcleos, já que em racks com número similar de CPUs, a AMD oferecerá maior paralelismo por oferecer um número maior de threads por chip. O ideal é esperarmos pela estreia de servidores com ambos para que comparações adequadas sejam feitas.
Também podemos concluir com a divulgação das estimativas que a concorrência deve ficar mais acirrada daqui em diante, agora que a NVIDIA está prestes a bater de frente com o time vermelho e a Intel no segmento de processadores.
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