Angústia e medo de ficar sem emprego: Geração Z migrou para ChatGPT em busca de tarô, astrologia e terapia

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A taxa de desemprego entre formandos americanos de 22 a 27 anos chegou a 5,6% em 2026, acima dos 4,2% da média geral do país. No Brasil, o quadro nacional é diferente: o desemprego geral caiu a 5,8% em abril de 2026, mas o recorte por escolaridade revela um problema específico: entre brasileiros com nível superior incompleto, ou seja, ainda na faculdade, a taxa de desocupação foi de 7,0% no primeiro trimestre de 2026, quase o dobro dos 3,7% registrados entre quem já concluiu o curso.

Para quem está no meio da formação e olha para o mercado à frente, o número é a materialização da angústia. A geração que herda esse cenário processa o medo de um jeito inesperado: pedindo ao ChatGPT para consultar os astros.

O fenômeno virou rotina no TikTok, Reddit e Threads. Juliet Zou, 19 anos, alimentou o ChatGPT com sua data de nascimento, horário e local para receber uma análise astrológica antes de escolher a faculdade. Shikha Iyer, também 19 anos, resumiu: “Você fala sobre o futuro exatamente com a razão pela qual você está preocupado com o futuro.” relatou a Jovem ao San Francisco Standard.

A explicação para a adesão é funcional. Chatbots não julgam, não cobram por sessão e estão disponíveis às 3h da manhã quando a ansiedade sobre o estágio que não veio bate mais forte. Parte dos usuários já migrou o uso para além do tarô, ChatGPT como substituto de terapia de conversa, para processar conflitos com colegas de quarto ou pressão de relacionamento. 

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Sam Altman, CEO da OpenAI, descreveu esse padrão no ano passado durante a conferência AI Ascent, organizada pela Sequoia Capital:Pessoas na casa dos 20 ou 30 anos estão usando o ChatGPT como uma espécie de conselheiro pessoal” .

Segundo ele, estudantes universitários já integram a ferramenta em praticamente todos os aspectos do dia a dia, decisões de carreira, dilemas emocionais, mudanças de cidade, tratando o ChatGPT como um “sistema operacional” pessoal . Altman comparou a velocidade dessa adoção ao impacto dos primeiros smartphones: “As crianças sabiam usar tudo de forma intuitiva, enquanto os mais velhos levavam anos para entender o básico” 

No Brasil, a TIC Kids Online, pesquisa do Cetic.br publicada em outubro de 2025, registrou que 10% das crianças e adolescentes brasileiros já recorreram à IA para falar sobre problemas pessoais ou emoções. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, essa proporção sobe para 16%. Um estudo publicado no BMJ, citado pela Antena 3, encontrou que 1 em cada 3 jovens escolheria a IA em vez de um humano para uma conversa séria, e 1 em cada 10 adolescentes prefere falar com chatbots a falar com pessoas.