A inteligência artificial está redefinindo a forma como as empresas operam, criam produtos e desenvolvem talentos. No Itaú, essa transformação vai além da adoção de novas tecnologias e passa por uma profunda revisão das competências que serão essenciais para os profissionais nos próximos anos. Para Amandha Cortes, Superintendente de Pessoas do banco, a capacidade de aprender continuamente será um dos principais diferenciais em um mercado cada vez mais dinâmico.
Durante a Semana de Produtos Itaú 2026, Amandha ressaltou que a transformação impulsionada pela inteligência artificial exige uma evolução contínua das competências profissionais. Segundo ela, a agenda de pessoas do banco tem papel central nesse movimento, combinando ações de atração, capacitação e desenvolvimento de talentos.
"O Itaú é um gigante que está sempre em movimento, sempre em transformação. E a agenda de pessoas sempre foi prioridade", afirmou.
Aprender a aprender será a habilidade mais valiosa
Segundo a Superintendente de Pessoas, a velocidade das mudanças impulsionadas pela inteligência artificial exige dos profissionais uma postura de aprendizado constante. Em um cenário no qual novas ferramentas surgem diariamente, a capacidade de adaptação passa a ser mais importante do que o domínio de conhecimentos específicos.
Para ela, o conceito de lifelong learning (aprendizado contínuo ao longo da vida) ganha protagonismo. Isso envolve não apenas cursos e treinamentos formais, mas também a troca de experiências, a experimentação de novas tecnologias e a busca ativa por conhecimento.
"O que prevalece é essa criatividade humana e esse protagonismo de buscar novos aprendizados, explorar tecnologias e aprender com outras pessoas", destacou.
A executiva ressalta que, além das competências técnicas, as chamadas soft skills se tornam cada vez mais relevantes. Pensamento crítico, criatividade, capacidade analítica e visão sistêmica estão entre as habilidades que tendem a ganhar valor à medida que a automação assume tarefas mais operacionais.
IA amplia capacidades humanas, não substitui profissionais
Um dos temas recorrentes quando se fala em inteligência artificial é o receio de substituição de postos de trabalho. Para Amandha, essa visão não reflete o que tem sido observado na prática dentro do banco.
Segundo ela, a tecnologia vem sendo utilizada para automatizar atividades repetitivas e operacionais, liberando tempo para que as pessoas possam se dedicar a tarefas de maior valor agregado.
"A IA veio para facilitar a nossa forma de trabalho. Ela tira parte do operacional e abre espaço para que possamos estudar, testar novas ideias, nos conectar com outras pessoas e gerar mais valor para o cliente", explicou.
Na avaliação da executiva, características como criatividade, análise crítica e tomada de decisão permanecem essencialmente humanas e continuarão sendo fundamentais mesmo em ambientes altamente automatizados.
Ela também destaca que a inteligência artificial exige profissionais mais preparados, e não menos qualificados. "A régua sobe para todos. Não é porque existe IA que podemos parar de aprender. Pelo contrário, precisamos desenvolver ainda mais nossa capacidade crítica e analítica", afirmou.
Capacitação se torna prioridade estratégica
Para acelerar a adoção da inteligência artificial, o Itaú tem investido em programas estruturados de capacitação voltados tanto para líderes quanto para equipes.
Uma das iniciativas destacadas por Amandha é a AcademIA, programa criado para ampliar o conhecimento sobre IA dentro da organização. A proposta envolve desde o letramento básico sobre o potencial da tecnologia até programas de aprofundamento voltados para liderança e novos modelos de trabalho.
Segundo a executiva, a preparação dos gestores tornou-se especialmente importante diante do surgimento de equipes compostas por pessoas e agentes digitais trabalhando em conjunto.
"O que muda nas relações de trabalho? Como liderar equipes que passam a conviver com agentes de IA? Essas são discussões que já fazem parte da nossa realidade", explicou.
A estratégia faz parte de uma visão mais ampla de construir uma cultura AI First, na qual a inteligência artificial deixa de ser um tema restrito à tecnologia e passa a fazer parte da rotina das áreas de negócio, operações e funções corporativas.
IA transforma a área de pessoas
A transformação impulsionada pela inteligência artificial também já produz impactos concretos dentro da própria área de Recursos Humanos do banco.
Amandha explicou que diversas iniciativas vêm sendo testadas para tornar processos mais inteligentes e eficientes, incluindo recrutamento, seleção, avaliação de desempenho e gestão da aprendizagem.
Nos processos seletivos, por exemplo, a tecnologia tem sido utilizada para realizar triagens mais qualificadas, permitindo que os recrutadores dediquem mais tempo às etapas de relacionamento e avaliação comportamental dos candidatos.
"A IA ajuda a simplificar a parte operacional para que possamos investir mais tempo nas conversas, na conexão com os candidatos e na análise dos aspectos culturais", afirmou.
Já na gestão de desempenho, ferramentas inteligentes contribuem para consolidar informações e reduzir atividades burocráticas, permitindo que líderes concentrem esforços em feedbacks mais qualificados e no desenvolvimento das equipes.
O futuro do trabalho será cada vez mais humano
Apesar do forte avanço tecnológico, Amandha acredita que o diferencial das organizações continuará sendo a capacidade de criar conexões humanas genuínas.
Para ela, a inteligência artificial deve ser encarada como uma ferramenta capaz de potencializar talentos e simplificar processos, mas não substituir aspectos fundamentais das relações profissionais.
"A área de pessoas tem um papel importante na construção de jornadas mais simples, modernas e conectadas às necessidades dos funcionários. Quanto mais automatizamos tarefas operacionais, mais espaço criamos para aquilo que realmente importa: relacionamento, desenvolvimento e experiência das pessoas", concluiu.
A visão do Itaú reforça uma tendência que vem ganhando força no mercado: em vez de substituir profissionais, a inteligência artificial está elevando a importância de competências humanas como criatividade, colaboração, pensamento crítico e aprendizado contínuo. Em um ambiente de mudanças constantes, a capacidade de evoluir junto com a tecnologia tende a ser o principal diferencial dos profissionais do futuro.
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