Brasileira cria gigante de US$ 22 bilhões apostando que prever o futuro será um novo mercado financeiro

há 16 horas 8

O futuro pode ter se tornado um ativo negociável.

Essa foi uma das principais mensagens deixadas por Luana Lopes Lara, cofundadora e COO da Kalshi, durante a palestra de abertura do Web Summit Rio 2026, realizado nesta segunda-feira (8). Em conversa com Tom Giles, editor executivo da Bloomberg, a executiva brasileira apresentou a trajetória da empresa que ajudou a criar o mercado de prediction markets nos Estados Unidos e que hoje figura entre as companhias de tecnologia de crescimento mais acelerado do mundo.

Avaliada em US$ 22 bilhões após sua rodada mais recente e negociando mais de US$ 1 bilhão por semana, a Kalshi opera um modelo que busca transformar eventos futuros em mercados negociáveis, permitindo que usuários comprem e vendam probabilidades relacionadas a política, economia, clima, cultura e outros temas.

"Você vai à bolsa para comprar e vender ações. Na Kalshi, você compra e vende o que vai acontecer no futuro", afirmou a executiva durante o palco de abertura.

Empresa cresceu sem produto no mercado por anos

Ao relembrar a criação da companhia, Luana destacou que o momento mais difícil não foi tecnológico, mas regulatório.

Segundo ela, a empresa passou entre três e quatro anos sem conseguir colocar um produto no ar enquanto negociava autorização para lançar um mercado de previsão legal nos Estados Unidos. "Foram anos ouvindo 'não' continuamente", afirmou.

Ela atribuiu parte dessa persistência à formação brasileira. "A qualidade mais subestimada do brasileiro é o otimismo e a crença de que as coisas vão dar certo", afirmou.

A executiva também destacou que parte importante da sua formação técnica aconteceu no Brasil. "Metade do que aprendi em matemática e ciência que me trouxe até aqui veio do Brasil", disse.

IA permitiu construir empresa bilionária com menos de 200 pessoas

Um dos pontos mais comentados da palestra foi o modelo operacional da companhia.

Segundo Luana, a Kalshi ultrapassou recentemente 170 funcionários, um número relativamente pequeno para uma empresa avaliada em US$ 22 bilhões.

A executiva atribuiu parte dessa eficiência ao uso intensivo de inteligência artificial. "Cada engenheiro opera praticamente como se tivesse 20 agentes trabalhando junto", afirmou.

Segundo ela, além da tecnologia, existe uma decisão cultural deliberada por manter estruturas mais enxutas e horizontais. "O motivo pelo qual estamos à frente não é regulação. É porque somos mais rápidos que todo mundo", afirmou.

Meta é se tornar a maior bolsa de derivativos do mundo

Apesar do crescimento acelerado no varejo, Luana afirmou que o objetivo da empresa está muito além desse mercado.

Segundo ela, a ambição da companhia é consolidar um ecossistema único de liquidez que reúna investidores individuais e institucionais. "Queremos ser a maior bolsa de derivativos do mundo", afirmou.

Para isso, a companhia anunciou recentemente novos produtos e vem ampliando atuação com bancos e fundos institucionais. Entre os lançamentos recentes está a entrada em contratos perpétuos regulados nos Estados Unidos.

Brasil segue no radar, mas exige etapa de educação

Ao comentar o cenário brasileiro, Luana reconheceu os desafios regulatórios enfrentados atualmente pela categoria.

Segundo ela, o estágio atual do Brasil lembra o momento vivido pelos Estados Unidos entre 2018 e 2019. "A gente precisou passar anos educando reguladores, mídia e mercado", afirmou.

Ela reforçou que a intenção da companhia continua sendo operar no Brasil, mas sempre dentro de um ambiente regulado. "Queremos vir para o Brasil e esperamos conseguir fazer isso em breve, trabalhando junto ao governo", afirmou.