Cibersegurança passa a viabilizar negócios e reposiciona o papel do CISO

há 6 horas 3

A cibersegurança está deixando de ser vista apenas como uma função de proteção e conformidade para assumir um papel estratégico na transformação digital das empresas. Nesse cenário, o Chief Information Security Officer (CISO), o líder da cibersegurança corporativa, passa a atuar como um facilitador de negócios, ajudando as organizações a adotar novas tecnologias com mais segurança e resiliência.

Essa é uma das principais conclusões do relatório Cybersecurity Considerations 2026, divulgado pela KPMG. O estudo identifica oito prioridades críticas de cibersegurança para 2026 e mostra como a evolução das ameaças, da inteligência artificial (IA) e dos ambientes híbridos está redefinindo as responsabilidades dos líderes de segurança digital.

Segundo o relatório, o CISO deixa de ser visto apenas como responsável por controles e conformidade regulatória para assumir o papel de articulador da transformação digital segura. A segurança passa a ser incorporada às estratégias de adoção de nuvem, IA, automação e novos modelos de negócio.

De acordo com John Israel, Global Chief Information Security Officer da KPMG, os CISOs estão cada vez mais envolvidos nas decisões estratégicas das organizações. “A percepção da cibersegurança está evoluindo de um foco puramente em compliance para um viabilizador estratégico da transformação digital, da adoção de nuvem, da inteligência artificial e de novas iniciativas de negócios”, afirma.

Identidades digitais ganham complexidade

Entre os temas destacados pelo estudo está o gerenciamento de identidade e acesso em ambientes cada vez mais distribuídos. A expansão do uso de IA e automação está multiplicando o número de identidades não humanas, incluindo agentes autônomos capazes de executar tarefas e tomar decisões.

Segundo a KPMG, os processos tradicionais de aprovação e controle já não acompanham a velocidade dessas operações. Como os agentes de IA podem desempenhar uma mesma atividade por diferentes caminhos, a gestão de permissões torna-se mais complexa e exige novos mecanismos de governança.

O relatório recomenda que as organizações mantenham inventários abrangentes de identidades em ambientes on-premises, nuvem e tecnologia operacional (OT), garantindo que cada usuário ou sistema tenha acesso apenas aos recursos necessários e pelo tempo adequado.

Segurança alinhada aos objetivos de negócio

Outra mudança apontada pelo estudo é a necessidade de maior integração entre as áreas de segurança e as demais funções corporativas. Para a KPMG, os CISOs precisam trabalhar de forma mais próxima dos conselhos administrativos e das lideranças de operações, marketing, vendas, recursos humanos e compras.

Del Heppenstall, líder de Cyber Security da KPMG no Reino Unido, destaca que os executivos de segurança precisam traduzir riscos tecnológicos para a linguagem dos negócios, permitindo decisões mais rápidas e alinhadas aos objetivos corporativos.

O desafio é ampliado pela crescente fragmentação regulatória. Empresas que operam em diferentes mercados precisam lidar com exigências distintas entre regiões como Europa, América do Norte e Ásia, aumentando a complexidade da governança de segurança.

Oito prioridades para 2026

O relatório apresenta um conjunto de oito considerações estratégicas que devem orientar as decisões das organizações ao longo de 2026. As recomendações abrangem desde a gestão de identidades em ambientes híbridos até questões relacionadas à governança, conformidade regulatória e alinhamento executivo.

A análise também considera as particularidades de diferentes setores da economia. Em telecomunicações, por exemplo, a proteção de infraestrutura crítica, a segurança das redes e a expansão de serviços digitais aparecem entre os principais desafios.

Impactos para telecomunicações e provedores

Para operadoras e provedores de internet, a principal mensagem do estudo é que a segurança deve ser encarada como um habilitador da inovação. A expansão de serviços digitais, aplicações baseadas em IA e ambientes multicloud exige modelos de proteção capazes de acompanhar a velocidade dos negócios.

Nesse contexto, o reposicionamento do CISO ganha relevância estratégica. Mais do que reduzir riscos, o executivo passa a contribuir diretamente para a criação de novas receitas, para a aceleração de projetos digitais e para o fortalecimento da confiança de clientes e parceiros.

Ao transformar a cibersegurança em um componente central da estratégia corporativa, as empresas podem avançar na inovação sem comprometer a resiliência operacional – um equilíbrio que tende a se tornar cada vez mais decisivo para a competitividade do setor de telecomunicações e conectividade.

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