Claro e NVIDIA apostam em computação como serviço para democratizar acesso à infraestrutura de IA no Brasil

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9 June 2026; Rodrigo Duclos, Chief Innovation & Digital Officer, Claro, on Centre Stage during day one of Web Summit Rio 2026 at Riocentro in Rio de Janeiro, Brazil. Photo by Oisin McHugh/Web Summit via Sportsfile

A corrida da inteligência artificial costuma ser contada a partir dos modelos. Quem criou o modelo mais avançado, quem lançou o agente mais sofisticado ou quem entregou o caso de uso mais impressionante. Mas durante o segundo dia do Web Summit Rio 2026, uma discussão ganhou força em torno de um componente menos visível — e potencialmente mais decisivo para os próximos anos: a infraestrutura necessária para sustentar essa transformação.

Durante o painel "Empower tomorrow's builders with the AI stack", realizado no Center Stage, Rodrigo Duclos, Chief Innovation & Digital Officer da Claro, e Marcio Aguiar, diretor executivo da NVIDIA para a América Latina, discutiram como ampliar o acesso à computação de alta performance para empresas, startups, pesquisadores e desenvolvedores brasileiros.

O encontro ocorreu poucas horas após a Claro anunciar sua credenciação junto à NVIDIA para operar e comercializar infraestrutura especializada para inteligência artificial na América Latina.

Segundo os executivos, o objetivo é reduzir uma barreira histórica do mercado: permitir que empresas tenham acesso à capacidade computacional necessária para desenvolver aplicações de IA sem precisar realizar investimentos antecipados em infraestrutura própria.

Infraestrutura deixa de ser barreira e passa a ser acelerador

Ao longo do painel, os executivos defenderam que ampliar o acesso à computação avançada pode acelerar inovação, ampliar competitividade e reduzir desigualdades históricas no acesso à tecnologia.

Para Rodrigo Duclos, o avanço da inteligência artificial depende menos da disponibilidade das ferramentas e mais da capacidade de transformar essas ferramentas em soluções relevantes para problemas concretos.

"Não é só usar as ferramentas, não é só usar os modelos, é melhorar os modelos, é achar novos problemas para resolver esses problemas de forma diferente e criar diferenciação", afirmou.

Segundo o executivo, a combinação entre infraestrutura disponível e criatividade local pode ampliar significativamente o potencial de inovação do país.

"A criatividade da cultura brasileira e a capacidade de improvisação funcionam muito bem nesse contexto", afirmou.

Na visão da companhia, tornar computação mais acessível pode acelerar desenvolvimento de novos serviços e ampliar a capacidade das empresas brasileiras de construir tecnologia em vez de apenas consumir tecnologia.

Claro quer ir além da conectividade e entrar na camada de computação

Ao comentar o posicionamento estratégico da operadora, Duclos explicou que a iniciativa representa uma evolução natural da atuação da companhia.

Segundo ele, a Claro já vinha ampliando presença em serviços de nuvem e agora busca expandir atuação para computação de alta performance orientada à inteligência artificial.

"Estamos aqui porque não queremos entregar apenas no nível do desenvolvedor. Queremos coconstruir, construir junto e entrar no jogo", afirmou.

O executivo destacou que empresas de telecom possuem ativos relevantes para impulsionar esse movimento.

"Temos quantidade de clientes, capacidade de gerar dados, coletar, armazenar e trabalhar esses dados."

Segundo ele, a intenção é atuar como parceira no desenvolvimento de novas aplicações.

"Claro pode ser um grande impulsionador disso como parceiro, não apenas como habilitador."

NVIDIA vê nova etapa da IA baseada em acesso e escala

Para Marcio Aguiar, o projeto marca uma nova forma de ampliar adoção da inteligência artificial sem exigir que empresas construam toda a infraestrutura por conta própria.

Segundo o executivo, a iniciativa foi desenvolvida ao longo de aproximadamente dois anos e representa uma expansão natural da proposta de valor construída pela operadora.

"Eles não estão mudando a forma como vão ao mercado. Estão agregando mais valor ao que já oferecem", afirmou.

Na avaliação da NVIDIA, a principal mudança não está apenas na tecnologia disponibilizada, mas na redução da complexidade de entrada para quem deseja começar.

"O melhor de tudo isso é que eles não estão entrando para competir com outras grandes empresas. Estão criando um acesso muito mais ágil e muito mais fácil."

Segundo Aguiar, ampliar disponibilidade computacional tende a acelerar ciclos de inovação em diferentes segmentos da economia.

Próxima geração de inovação pode nascer fora dos grandes polos

Outro ponto recorrente do debate foi a percepção de que inovação baseada em IA não deve permanecer concentrada apenas nos grandes centros tecnológicos.

Duclos afirmou que ampliar acesso à infraestrutura cria condições para que novos empreendedores, pesquisadores e empresas consigam desenvolver soluções a partir de desafios locais.

Segundo ele, a oportunidade está justamente em permitir que diferentes regiões tenham condições técnicas para transformar conhecimento em produtos e serviços.

Esse movimento, na visão apresentada pelos executivos, tende a criar novos modelos de negócio e ampliar a diversidade do ecossistema brasileiro de tecnologia.

Falta de profissionais especializados continua sendo principal desafio

Apesar da evolução da infraestrutura, Aguiar destacou que o principal gargalo da inteligência artificial hoje não está necessariamente na tecnologia.

"Nosso principal concorrente hoje é a falta de mão de obra especializada."

Segundo ele, a NVIDIA vem ampliando programas voltados para formação de desenvolvedores, startups e pesquisadores.

O executivo afirmou que iniciativas como Developer Program, Inception Program e Deep Learning Institute vêm registrando crescimento superior a 100% ao ano em novos participantes.

Para Aguiar, o avanço acelerado da IA exige aprendizado contínuo e não deve ser encarado como uma corrida perdida para quem ainda está começando.

"Essa corrida pela adoção da IA está sempre começando."

Ele reforçou que empresas que ainda não iniciaram seus projetos continuam em condições de construir relevância.

"O jogo está sempre recomeçando porque novas técnicas continuam sendo criadas."

Computação pode se tornar o novo serviço básico da economia digital

Ao final da conversa, a leitura apresentada pelos executivos foi que o avanço da inteligência artificial dependerá cada vez menos da existência de modelos e cada vez mais da capacidade de transformar infraestrutura em acesso.

Se nos últimos anos a nuvem se tornou uma camada essencial para digitalização, o próximo movimento pode ser a transformação da computação acelerada em um serviço amplamente disponível.

Nesse cenário, o diferencial competitivo tende a estar menos em quem possui os maiores recursos e mais em quem consegue colocar capacidade computacional nas mãos de quem ainda não tinha acesso a ela.