
O setor brasileiro de distribuição de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) movimentou R$ 30,7 bilhões em 2025, alta de 7% sobre o ano anterior, segundo estudo elaborado pela IT Data para a Abradisti. A associação informa representar 87% do mercado nacional, com 51 associados na categoria de distribuidores.
O crescimento foi puxado pelo setor privado, especialmente por grandes e médias empresas que mantiveram investimentos em atualização de infraestrutura tecnológica. Esse movimento compensou o desempenho mais fraco do segmento governamental, responsável por cerca de 20% dos investimentos em TIC no país.
Para Mariano Gordinho, presidente-executivo da Abradisti, a demanda foi sustentada por três frentes: cloud, cibersegurança e infraestrutura. “Estes três vetores juntos criam a ‘tempestade perfeita’ de consumo no segmento B2B”, afirmou.
Entre os produtos, hardware de TI respondeu por 44,5% do faturamento dos associados da Abradisti. O desempenho está ligado ao direcionamento dos fabricantes para o mercado corporativo.
Projeção menor para 2026
Para 2026, os distribuidores projetam crescimento médio de 6% no faturamento geral. A expectativa é mais cautelosa que o resultado de 2025, em razão de juros elevados, inflação, endividamento de pessoas físicas e microempresas, conflitos geopolíticos e ano eleitoral.

Ivair Rodrigues, diretor de Estudos de Mercado da IT Data, cita a taxa de juros como ponto de atenção. “Um dos pontos de atenção neste cenário é a taxa de juros na casa dos 14,5% sem viés de baixa no curto prazo, o que encarece o crédito e o capital de giro”, disse.
Apesar da cautela, distribuidores especializados em soluções de maior valor agregado projetam crescimento superior a 10% neste ano.
Revendas avançam 9,4%
O 15º Censo das Revendas Abradisti, baseado em respostas de 1.176 revendas, integradores e representantes comerciais de TIC, apontou crescimento de 9,4% em 2025.
Para 2026, 70% das revendas pesquisadas projetam alta de faturamento, enquanto 10% esperam queda. O levantamento também mostra que a inteligência artificial já tem impacto comercial para parte dos canais: 21% das revendas afirmam que IA é relevante para o faturamento atual.
Entre as ofertas com IA, aparecem notebooks e PCs com IA integrada, citados por 30% das revendas que já atuam no tema, e soluções de cibersegurança com IA, também com 30%. Outros 29% ainda não possuem qualquer oferta ligada à tecnologia.

Reforma tributária vira alerta
O principal ponto de atenção operacional é a reforma tributária. Segundo o censo, 44% das revendas entrevistadas afirmam que seus sistemas internos não estão preparados para as mudanças.
Rodrigues afirma que o ambiente operacional ainda enfrenta gargalos. A redução das margens de lucro está como maior desafio dos canais, em meio à concorrência intensa e ao orçamento limitado dos clientes.
O tema foi discutido no 16º Encontro Anual Abradisti, realizado em 13 de maio, em Alphaville, São Paulo. Segundo a entidade, especialistas avaliaram que a reforma deixou de ser apenas pauta de conformidade fiscal e passou a ser tema estratégico para conselhos e diretorias.
A Abradisti informa que seu Grupo de Trabalho Tributário acompanha a transição regulatória e criou, em julho de 2025, um Comitê Especial da Reforma Tributária. A entidade também diz reunir demandas operacionais do setor de TIC para encaminhar contribuições técnicas à Receita Federal e ao Comitê Gestor do IBS e da CBS.
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