Carlos Campos, Diretor Geral no Brasil e Vice-presidente de Vendas para a América Latina da emnify
A adoção do eSIM está mudando a forma como as empresas gerenciam dispositivos conectados e promete reduzir os custos operacionais de projetos de Internet das Coisas (IoT). Ao substituir os chips físicos por perfis digitais configurados remotamente, a tecnologia elimina processos logísticos, reduz deslocamentos de equipes técnicas e simplifica a administração de grandes parques de equipamentos distribuídos pelo país.
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O movimento ganha força no Brasil, que lidera a disponibilidade de eSIM na América Latina. Segundo levantamento da Holafly e da TeleSemana, o país ocupa a 24ª posição em um ranking global de 50 mercados e já conta com cerca de 30% dos smartphones em uso compatíveis com a tecnologia. No ambiente corporativo, porém, o potencial é ainda maior.
De acordo com Carlos Campos, diretor-geral da emnify no Brasil e vice-presidente de Vendas para a América Latina, o principal benefício do eSIM está na virtualização da conectividade. Em vez de substituir fisicamente um chip quando há necessidade de trocar operadora ou reconfigurar um serviço, as mudanças podem ser realizadas remotamente por software.
“A conectividade móvel está deixando de ser uma questão de hardware para se transformar em software, e isso muda completamente o jogo para quem desenvolve, implanta e administra ecossistemas de dispositivos conectados”, explica Campos. “A inteligência da conectividade migrou para a nuvem. Isso permite que empresas gerenciem remotamente o ciclo de vida de milhares de dispositivos, ativando, reconfigurando ou alterando redes sem a necessidade de intervenções físicas.”
O impacto é especialmente relevante em segmentos que operam milhares de dispositivos espalhados por diferentes localidades. O mercado de meios eletrônicos de pagamento é um dos principais exemplos. Milhões de terminais POS utilizados por bancos, fintechs e adquirentes dependem de conectividade móvel para processar transações. Com o eSIM, a gestão das linhas passa a ser feita remotamente, reduzindo custos de manutenção e simplificando a operação.
A tecnologia também avança em aplicações de rastreamento de frotas, telemetria, agronegócio, cidades inteligentes, energia distribuída, carregamento de veículos elétricos e segurança eletrônica. Nesses setores, a redução de intervenções em campo representa ganhos importantes de eficiência operacional.
O cenário acompanha a expansão da IoT no Brasil. Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que o país encerrou 2025 com 270,2 milhões de acessos móveis ativos, após a adição de 6,8 milhões de novas linhas ao longo do ano. Desse total, 6,4 milhões correspondem a conexões de Internet das Coisas, evidenciando o crescimento acelerado do mercado de dispositivos conectados.
Além da redução de custos, especialistas apontam que o eSIM aumenta a resiliência das operações. Como os perfis de conectividade podem ser alterados remotamente, empresas conseguem migrar dispositivos entre diferentes redes móveis sem necessidade de intervenção física, reduzindo riscos de indisponibilidade e melhorando a continuidade dos serviços.
Outro fator que impulsiona a adoção é a integração da conectividade às plataformas corporativas por meio de APIs. Com isso, equipes de TI passam a monitorar, ativar, suspender ou reconfigurar milhares de dispositivos de forma automatizada, transformando a conectividade em um serviço gerenciado por software.
Para Campos, a tecnologia representa uma mudança estrutural no mercado. “A conectividade deixa de ser um componente físico e passa a ser administrada digitalmente. Isso oferece mais flexibilidade para escalar operações, reduzir custos e acelerar projetos de IoT”, afirma.
Com o crescimento do número de dispositivos conectados e a busca das empresas por maior eficiência operacional, a expectativa do setor é que o eSIM se consolide como um dos principais habilitadores da próxima geração de projetos de IoT no Brasil.
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