A aceleração da transformação digital e a migração crescente de operações corporativas para a nuvem ampliaram a eficiência das empresas, mas também elevaram a superfície de risco. O relatório Data Breach Investigations Report 2025, da Verizon, aponta que o uso de credenciais comprometidas segue entre os principais vetores de incidentes cibernéticos no mundo, enquanto o Cost of a Data Breach Report 2025, da IBM, estima em US$ 4,44 milhões o custo médio global de uma violação de dados, evidenciando o peso financeiro de falhas de proteção.
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Para Vinicius Barrado, especialista em cibersegurança e inteligência artificial aplicada à proteção digital, CEO e cofundador da TripleTech IT Soluções em TI, o avanço da computação em nuvem tem levado muitas empresas a uma percepção equivocada sobre segurança. A TripleTech atua com infraestrutura, proteção digital e continuidade operacional para empresas que dependem de ambientes tecnológicos críticos. “Existe uma interpretação perigosa de que migrar para a nuvem significa automaticamente estar mais protegido. A tecnologia oferece recursos robustos, mas a segurança depende de gestão, configuração correta e monitoramento permanente”, afirma.
O crescimento do uso de ambientes distribuídos, integração entre plataformas, acessos remotos e aplicações conectadas aumentou a complexidade operacional da segurança corporativa. Na prática, muitos incidentes continuam ligados a erros básicos de governança, como permissões excessivas, credenciais antigas ainda ativas, armazenamento exposto indevidamente e ausência de visibilidade sobre comportamentos anômalos dentro da operação.
Segundo Barrado, a falha mais comum está na transferência equivocada de responsabilidade. “Muitas empresas entendem a nuvem como terceirização completa da segurança, quando na verdade existe uma responsabilidade compartilhada. O provedor protege a infraestrutura, mas a gestão dos acessos, das políticas internas e da configuração continua sendo responsabilidade da empresa.”
A discussão ganha ainda mais relevância com a expansão da inteligência artificial dentro das operações corporativas. O uso crescente de automação, agentes inteligentes e sistemas integrados amplia a velocidade das operações, mas também aumenta a necessidade de monitoramento contínuo. Para o especialista, a própria inteligência artificial pode ser uma aliada importante na defesa digital. “A IA consegue identificar padrões fora do comportamento esperado, reconhecer movimentações suspeitas e acelerar respostas a incidentes. Mas sem estratégia, ela vira apenas mais uma camada tecnológica sem efetividade real.”
O impacto de uma falha, segundo ele, vai muito além da área técnica. Interrupção de sistemas, indisponibilidade operacional, vazamento de dados, perda financeira e desgaste reputacional passaram a integrar a lista de riscos corporativos diretamente ligados à gestão da tecnologia.
“Quando a operação depende integralmente de sistemas conectados, qualquer falha de segurança deixa de ser apenas um problema técnico. Ela afeta a receita, compromete a confiança do cliente e pode interromper a continuidade do negócio. A conversa sobre nuvem precisa estar na mesa da gestão estratégica”, conclui Barrado.
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