A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) decidiu permitir que a Amazon LEO continue expandindo a constelação de satélites da futura operadora de banda larga, mesmo sem cumprir a meta intermediária de implantação prevista para julho de 2026.
Em decisão publicada na última sexta-feira, 5, a agência norte-americana concedeu uma dispensa parcial das regras de implantação, mas mantendo o prazo final de conclusão da rede em julho de 2029.
A Amazon precisava ter 1.616 satélites em operação até julho deste ano. Ou seja, 50% da primeira geração da constelação autorizada pela FCC. Essa meta está distante: hoje a empresa tem apenas 331 satélites em órbita.
Em janeiro, antes mesmo da explosão de um foguete New Glenn, o grupo já havia admitido que não conseguiria atingir esse objetivo e pediu uma extensão de dois anos para o cronograma ou, alternativamente, uma dispensa regulatória.
A FCC optou pela segunda alternativa. Com isso, a Amazon LEO poderá continuar lançando satélites após o vencimento da meta intermediária sem sofrer a redução automática de sua autorização.
A agência dos EUA justificou a decisão afirmando que a empresa está "preparada para oferecer serviços de satélite de ponta em todo o mundo como uma nova concorrente em grande escala na órbita terrestre baixa" e defendeu a ampliação da concorrência em um setor que foi praticamente dominado pela Starlink, de Elon Musk.
O órgão norte-americano reconheceu que a Amazon realizou investimentos bilionários no projeto, citando aportes superiores a US$ 10 bilhões para construção da rede e infraestrutura terrestre, além de capacidade industrial.
Condições para Amazon
Apesar de ter ganhado fôlego com o projeto, a Amazon não saiu completamente ilesa: os satélites que não estiverem em operação até 30 de julho de 2026 vão perder temporariamente a prioridade regulatória associada às rodadas de autorização de espectro das quais a empresa participou.
Essa restrição valerá até março de 2028 ou até que a Amazon alcance a marca de 50% da constelação em operação. A agência também manteve a penalidade financeira prevista nas regras atuais. Caso não cumpra a meta intermediária, a Amazon perderá a garantia financeira vinculada à licença.
Contexto
Batizado inicialmente como Projeto Kuiper, o sistema da Amazon prevê 3.232 satélites em órbita baixa, usando tecnologia de baixa órbita similar à da Starlink.
O atraso no cronograma já tinha gerado mal-estar entre a agência reguladora americana e a Amazon. Em março, o presidente do órgão, Brendan Carr, fez críticas à "lentidão" do grupo de Jeff Bezos.
A situação ficou mais complexa em maio, com a explosão de um foguete New Glenn, da Blue Origin, que seria utilizado em futuras missões da Amazon LEO. Isso adicionou novas incertezas ao cronograma de implantação da rede. O acidente também causou danos à plataforma de lançamento utilizada pela empresa na Flórida, que precisará de reparos.
Acidente que destruiu foguete New Glenn causou danos à infraestrutura de lançamento da empresa na Flórida, incluindo equipamentos usados para transportar e posicionar o foguete na plataforma. Apesar disso, Blue Origin afirma que pretende retomar os voos do New Glenn ainda este ano. Imagem: Reprodução/@NASASpaceflight no XMesmo com o cronograma atrasado, a Amazon LEO já começou a conquistar clientes para sua futura rede de banda larga via satélite. A empresa fechou contratos para fornecer conectividade a bordo para as companhias aéreas JetBlue e Delta Air Lines, além de acordos de distribuição com a Sky e a DirecTV na América Latina para os mercados residencial e corporativo.
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há 22 horas
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