LibreOffice critica Euro-Office por ser “aliado” da Microsoft

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Resumo
  • The Document Foundation (TDF), do LibreOffice, critica o Euro-Office por promover anúncios sobre projeto ser a primeira suíte de escritório de código aberto desenvolvida na Europa, quando, na verdade, o OpenOffice.org e o LibreOffice já existem desde 2001 e 2010, respectivamente;
  • Euro-Office é baseado no código-fonte do OnlyOffice e trabalha com os formatos de arquivos do padrão OOXML, mantido pela Microsoft, o que o torna um “aliado” da empresa, afirma a TDF;
  • Euro-Office está disponível no GitHub, mas é direcionado à integração com aplicações de servidor e não tem um instalador convencional até o momento.

A promessa era a de que o Euro-Office fosse lançado nesta terça-feira (09/06). Assim foi feito. Estamos falando de uma suíte de escritório de código-fonte aberto direcionada a organizações da Europa, mas disponível no mundo todo. Só que a estreia ocorre em meio a duras críticas feitas pela The Document Foundation (TDF), organização que mantém o LibreOffice.

Uma das propostas do Euro-Office é a de fortalecer a soberania digital europeia, de modo a tornar a região menos dependente de tecnologias oriundas de outros países, principalmente dos Estados Unidos.

A TDF não é contra esse objetivo. O que a entidade critica é a forma como o Euro-Office está sendo promovido, bem como a sua abordagem que não é, digamos, totalmente aberta (você já vai entender).

Sobre o primeiro aspecto, a crítica é direcionada aos anúncios que dão a entender que o Euro-Office é a primeira suíte de escritório de código aberto desenvolvida na Europa.

Em uma carta aberta, a TDF enfatiza que, na verdade, o primeiro pacote de escritório desenvolvido na região foi o OpenOffice.org, introduzido em 2001 com base no código-fonte do StarOffice. Depois veio o LibreOffice, lançado em 2010:

Essas são duas suítes de escritório genuinamente de código aberto, construídas a partir de código-fonte com origem na Europa. Elas não são um clone gratuito do Microsoft Office cuja origem do código é desconhecida, nem um produto que se renomeou por puro oportunismo para surfar na onda atual da soberania digital.

Italo Vignoli, representante da The Document Foundation

Ao falar em “produto que se renomeou”, Vignoli se refere, provavelmente, ao fato de o Euro-Office ter como base o código-fonte do OnlyOffice. Aliás, houve um conflito entre os dois projetos: os mantenedores do OnlyOffice acusaram a equipe do Euro-Office de violação de termos de uso por conta da remoção de avisos legais e símbolos do projeto original no “novo” pacote de escritório.

O impasse foi resolvido com a reinserção dos avisos e símbolos do OnlyOffice no Euro-Office.

Outro aspecto criticado pela TDF é o fato de o Euro-Office trabalhar com os formatos de arquivos do padrão OOXML (Office Open XML), que é mantido pela Microsoft:

O Euro-Office utiliza por padrão o formato de documento OOXML, totalmente proprietário e desenvolvido e controlado exclusivamente pela Microsoft. Isso o torna um aliado de fato da Microsoft em sua estratégia de aprisionamento de conteúdo, com o controle permanecendo firmemente em Redmond [sede da Microsoft] e longe da Europa.

Italo Vignoli, representante da The Document Foundation

Neste ponto, convém relembrar que a TDF já havia criticado o OOXML por não considerá-lo um padrão aberto de verdade.

Euro-Office está disponível no GitHub

A despeito das críticas, o Euro-Office pode ser obtido a partir de seu repositório no GitHub. É importante deixar claro, porém, que a suíte não tem um instalador convencional. Pelo menos até o momento, o projeto é direcionado à integração com aplicações de servidor.

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