O que é juice jacking? Saiba como funciona a ameaça que usa portas USB

há 3 horas 2

Juice jacking é uma ameaça cibernética que utiliza portas USB públicas para roubar dados ou instalar arquivos maliciosos nos dispositivos das vítimas.

Nessa ameaça, portas USB são modificadas a sistemas ou dispositivos com capacidade para interceptar dados via conexão USB. As vítimas podem achar que estão apenas recarregando seus aparelhos, e muitas vezes não percebem a coleta ilegal de informações.

Para se prevenir contra juice jacking, é recomendável evitar estações públicas de recargas USB, utilizar cabos limitados à recarga de energia ou usar adaptadores que bloqueiam transferências de dados.

A seguir, entenda melhor o que é e como funciona o juice jacking, e confira medidas de proteção contra essa ameaça cibernética.

O que é juice jacking?

Juice jacking é um tipo de ameaça cibernética que utiliza portas USB públicas para roubar dados ou instalar malware em dispositivos eletrônicos da vítima, como smartphones e tablets.

No juice jacking, portas USB fingem ser meros pontos de carregamento, quando na verdade estabelecem transferências de dados sorrateiramente (e sem consenso) com o aparelho para roubo de informações das vítimas.

O que significa juice jacking?

Juice jacking pode ser traduzido como algo próximo de “sequestro via energia” ou “roubo via carregamento”.

No inglês, “juice” pode ser usado como uma gíria para “energia”, “eletricidade” ou “carga”, principalmente quando se envolve baterias. Já “jacking” vem de “hijacking”, que pode ser traduzido como “sequestro” ou “roubo”.

Apesar da tradução literal, juice jacking não se refere a um roubo de energia: a ameaça envolve roubo de dados enquanto a vítima acha que está carregando a bateria do aparelho. E é a partir dessa analogia que o termo foi cunhado.

Como funciona o juice jacking

O juice jacking começa quando cibercriminosos modificam portas USB públicas de carregamento. Esses pontos geralmente estão localizados em ambiente com alto fluxo de pessoas, até porque quanto mais gente em volta, maiores as chances de alguém se tornar uma vítima.

Visualmente falando, as portas USB parecem ser “comuns”. Mas com as modificações, essas portas podem estar ligadas a um chip ou a outros dispositivos com capacidade para coletar dados ou injetar malware assim que um aparelho é conectado via USB.

Se uma pessoa passar pela estação de recarga maliciosa e estiver com o celular descarregado, ela poderá usar um cabo para recarregar seu dispositivo nessa porta USB. O problema é que os cabos não só repassam corrente elétrica da fonte de energia, como também transferem dados entre pontos.

Em alguns casos, a vítima pode aceitar permissões de transferência de dados sem saber do que se trata. Em outros, o alerta sequer é mostrado na tela.

E quando a conexão acontece, o cibercriminoso pode roubar conversas, mídias e dados sensíveis ou mesmo instalar um arquivo malicioso (sem consentimento) para praticar spyware, stalkerware, entre outros tipos de ataque.

À primeira vista, a pessoa acredita que está apenas recarregando seu celular em uma porta USB pública. Na prática, ela se tornou uma vítima de roubo de dados sem perceber.

Quais são os riscos do juice jacking?

O juice jacking costuma envolver principalmente roubo de dados e instalação de malware. Mas há diversos riscos a partir dessas explorações, incluindo:

  • Golpes financeiros: os cibercriminosos quase sempre vão se aproveitar de dados pessoais da vítima para roubar o dinheiro delas ou conseguir algum montante.
  • Ataques ransomware: se o dispositivo for comprometido, os atores do ataque podem exigir recompensas (em dinheiro ou criptomoedas) para normalizar o aparelho.
  • Roubo de credenciais: dependendo dos dados roubados via juice jacking, os golpistas podem conseguir acesso a sistemas, serviços e até espaços físicos.
  • Aplicação de outros golpes: o juice jacking pode ser usado para sequestrar informações das vítimas e motivar a aplicação de outros golpes a partir dos dados coletados.

Como se proteger contra juice jacking

Existem algumas medidas preventivas contra o juice jacking. E dentre as principais ações contra essa ameaça, estão:

  • Evite recarregar o aparelho em estações públicas: sempre que possível, evite de conectar o seu dispositivo a portas USB públicas ou desconhecidas.
  • Fique atento às configurações de conexão: caso vá utilizar uma estação de carregamento pública, escolha a opção de conexão que habilita somente o carregamento de energia.
  • Carregue um power bank com você: se possível, utilize carregadores portáteis (power banks) ao invés de usar portas USB desconhecidas.
  • Use cabos limitados à carregamento de energia: fora de casa, opte por cabos mais simples limitados à recarga de energia (sem opção de transferência de dados).
  • Mantenha o seu dispositivo atualizado: mantenha as atualizações de software e segurança do seu aparelho em dia, já que novos patches podem corrigir bugs e falhas de cibersegurança.
  • Use adaptadores de bloqueio de dados: use adaptadores que bloqueiam dados do seu dispositivo; no mercado, eles podem ser encontrados como “USB data blocker” ou “camisinhas USB”.

O que fazer ao suspeitar de juice jacking?

Caso suspeite de juice jacking, remova instantaneamente o cabo da porta USB. Vale também desativar Wi-Fi, dados móveis, Bluetooth e qualquer outra conexão do aparelho que possa ser usada para transferência de dados.

Demais recomendações incluem fazer varredura com algum programa de proteção cibernética, e trocar todas as suas senhas (se julgar necessário).

Celulares iPhone são mais seguros que Android contra juice jacking?

Sim, mas com ressalvas. Smartphones Android possuem o modo depuração USB, que concede acesso total ao celular a partir de uma conexão USB a um dispositivo. O iPhone conta com um recurso parecido, mas que oferece menos permissões e alerta sobre qualquer novo dispositivo conectado.

Além disso, estações públicas de recarga costumam usar o padrão USB-A, que é um padrão visto em praticamente todos os cabos de smartphones Android. Em contrapartida, os cabos de iPhones mais recentes costumam ter saída para Lightning ou USB-C, não sendo compatíveis com o padrão USB-A.

Em suma: iPhones não são imunes a juice jacking, mas costumam ser mais seguros que Android envolvendo essa ameaça.

Qual é a diferença entre juice jacking e Man-in-the-Middle?

Juice jacking é uma ameaça da qual estações de USB modificadas fingem ser pontos de recarga para roubarem dados de dispositivos conectados. Esse tipo de ataque depende de conexão física entre o aparelho da vítima e a porta USB.

Man-in-the-Middle é um crime cibernético em que o invasor intercepta transmissões de dados para coletar informações da vítima sem consentimento. Essa ameaça não requer conexão física, e geralmente envolve redes Wi-Fi públicas falsas — cujas conexões acontecem remotamente, sem contato.

O que é juice jacking? Saiba como funciona a ameaça que usa portas USB