
Autoridades de cibersegurança dos países do G7 (Canada, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) colocaram as redes de telecomunicações entre as prioridades estratégicas da agenda global de segurança digital. Em declaração divulgada após reunião realizada em Paris, o grupo classificou a crescente interdependência das redes como fonte de risco sistêmico e defendeu maior coordenação internacional para proteção das infraestruturas críticas.
O posicionamento foi formalizado pelo Grupo de Trabalho de Cibersegurança do G7, coordenado pela Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação da França (ANSSI), divulgado hoje, 8. O documento estabelece quatro prioridades para 2026: migração para criptografia pós-quântica, riscos de cibersegurança associados à IA, segurança das telecomunicações e proteção de pequenas e médias empresas.
Telecom como um risco sistêmico
O destaque para telecomunicações chama atenção porque o setor aparece de forma explícita como uma preocupação global de cibersegurança. A complexidade técnica das redes e o aumento da interdependência entre infraestruturas digitais criam riscos sistêmicos que exigem coordenação entre governos e autoridades regulatórias, de acordo com o documento. A declaração diz que o tema merece atenção específica dos países do G7 e que o GT deve atuar como espaço de coordenação de políticas de segurança digital entre seus integrantes.
Pressão por migração para criptografia pós-quântica
Outro ponto de destaque é o alerta para a adoção de criptografia pós-quântica (Post-Quantum Cryptography – PQC). O G7 afirma que o avanço da capacidade computacional e a perspectiva de futuras máquinas quânticas capazes de quebrar algoritmos criptográficos atuais tornam urgente a migração para novos padrões de proteção de dados e comunicações. Organizações públicas e privadas não podem mais adiar esse processo.
A declaração defende uma atuação coordenada entre governos e indústria para reduzir riscos e permitir a adoção segura das novas tecnologias criptográficas.
O grupo também destacou um documento produzido durante a presidência canadense, denominado “G7 Cyber Working Group Statement on PQC Migration”, voltado à orientação de organizações de médio e grande porte na preparação para a transição criptográfica.
IA amplia superfície de ataque
A declaração dedica um capítulo específico aos impactos da IA sobre a segurança digital, dizendo que modelos generativos e grandes modelos de linguagem (LLMs) passaram a ser utilizados por agentes maliciosos, ao mesmo tempo em que os próprios sistemas de IA se transformaram em alvos de ataques. O grupo cita riscos como envenenamento de modelos, comprometimento da cadeia de suprimentos de software e exfiltração de dados sensíveis.
O documento defende o uso de padrões internacionais, mecanismos de segurança de software e iniciativas como o SBOM para IA (Software Bill of Materials) para ampliar a transparência e reduzir vulnerabilidades.
A Comissão Europeia manifestou apoio à declaração e afirmou que as prioridades aprovadas estão alinhadas às iniciativas regulatórias em andamento no bloco, incluindo medidas voltadas à proteção de infraestruturas críticas, cadeias de suprimentos digitais e redes de telecomunicações.
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