Pokémon GO: desenvolvedora nega que dados de jogadores estão treinando drones militares

há 10 horas 2

A desenvolvedora responsável pela tecnologia criada a partir dos dados de localização do Pokémon GO negou rumores que apontavam uma suposta utilização das informações dos jogadores para treinar drones militares dos Estados Unidos. A polêmica ganhou força após uma reportagem publicada pelo portal holandês Trouw.

Segundo o relatório, cerca de 30 bilhões de escaneamentos realizados por usuários dos jogos da Niantic teriam contribuído para o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial voltados para navegação autônoma. A publicação sugeria ainda uma possível ligação entre essa tecnologia e aplicações militares.

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Não é de hoje que Pokémon GO se envolve em polêmica quanto ao uso de dados registrados pelos jogadores. A origem dos supostos dados para treinar drones militares dos Estados Unidos remonta ao recurso de escaneamento em realidade aumentada disponível no jogo desde 2021. Na época, alguns jogadores podiam registrar PokéStops utilizando a câmera do celular e recebiam recompensas dentro do jogo, como Poké Bolas especiais, Doces Raros e outros itens.

Esses registros ajudaram a construir modelos tridimensionais detalhados de ambientes reais. O material foi posteriormente incorporado aos projetos da Niantic Spatial, empresa criada após uma reorganização da antiga Niantic, desenvolvedora original do fenômeno lançado em 2016.

A controvérsia ganhou força devido a uma parceria entre a Niantic Spatial e a Vantor, companhia ligada ao setor de inteligência e defesa. Juntas, as empresas trabalham em soluções capazes de determinar posições geográficas mesmo em locais onde sinais de GPS estão indisponíveis ou sofrem interferências.

Diante da repercussão, representantes da empresa fizeram questão de negar qualquer compartilhamento de dados do Pokémon GO com fins militares. Em nota oficial, um porta-voz esclareceu a situação:

Agora como parte da Scopely, os dados do Pokémon GO não são compartilhados com a Niantic Spatial. Os escaneamentos em realidade aumentada coletados por meio do Pokémon GO foram enviados voluntariamente por jogadores que optaram por participar do recurso e estavam sujeitos aos Termos de Serviço e à Política de Privacidade vigentes naquele momento. A descontinuação dos escaneamentos em realidade aumentada e o encerramento do compartilhamento de dados com a Niantic Spatial fizeram parte do planejamento de transição relacionado à transferência do Pokémon GO para a Scopely.

A empresa também destacou que o acordo com a Vantor ainda está em estágio inicial e não envolve troca de dados provenientes dos jogadores. Segundo a Niantic Spatial, o objetivo da colaboração consiste apenas em desenvolver sistemas capazes de identificar posições no mundo real utilizando sensores e referências visuais.

A tecnologia possui aplicações civis importantes. Entre elas estão robôs de entrega que operam em grandes centros urbanos, onde edifícios altos frequentemente dificultam a recepção adequada dos sinais de GPS. Nesse cenário, métodos alternativos de navegação tornam-se essenciais para garantir precisão nos deslocamentos.

Outro ponto ressaltado pela companhia envolve a natureza dos modelos treinados. A Niantic afirma que os escaneamentos serviram para ensinar sistemas de inteligência artificial a reconhecer espaços físicos, mas os modelos resultantes não armazenam nem permitem acesso direto aos vídeos originais enviados pelos usuários.

Além disso, os locais registrados normalmente correspondiam a pontos públicos de interesse, como monumentos, estátuas, fontes e marcos urbanos. A empresa argumenta que essas informações não podem ser utilizadas para rastrear indivíduos nem reproduzir os dados capturados durante as atividades realizadas no jogo.

Com isso, a Niantic Spatial rejeita a narrativa de que jogadores do Pokémon GO estariam contribuindo involuntariamente para o treinamento de drones militares. Embora a tecnologia desenvolvida possa ter aplicações em diferentes setores, a companhia afirma que não trabalha com as Forças Armadas nem compartilha dados dos usuários para esse tipo de finalidade.

E você, acredita na inocência da Niantic?

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