A história profissional de Marco Romero, CEO do Grupo Taking, sintetiza uma das narrativas mais emblemáticas do empreendedorismo brasileiro em tecnologia. De office boy no fim dos anos 1990 a líder de uma companhia com mais de mil colaboradores e presença em grandes contas corporativas, Romero construiu sua trajetória apoiado em aprendizado prático, resiliência e uma visão clara sobre como transformar tecnologia em valor de negócio.
Romero iniciou sua carreira nuna empresa pioneira em desenvolvimento e treinamento no ecossistema Oracle. Após um primeiro ciclo entre 1999 e 2000, deixou a companhia e, ao longo dos anos seguintes, empreendeu três vezes — experiências que não tiveram sucesso financeiro, mas que se tornaram fundamentais para sua formação como executivo. "Foram tentativas que deram errado, mas me ensinaram exatamente o que não fazer", relembra. Sem plano B ou C, vindo de uma origem humilde, ele afirma que não havia espaço para desistir.
O ponto de virada ocorreu entre 2006 e 2007, quando Romero retornou à empresa e adquiriu 100% do negócio, em um processo competitivo que envolveu mais de 40 interessados. A partir dali, iniciou-se a construção do que hoje é o Grupo Taking, com foco na profissionalização da gestão, na estruturação de conselhos e na formação de uma liderança experiente. Entre os nomes que integram esse processo estão executivos de peso do mercado, como Rogério Oliveira, ex-presidente da IBM Brasil, conselheiro da companhia há quatro anos, e Sérgio Brito, ex-vice-presidente da IBM.
Nos últimos oito anos, o Grupo Taking passou por uma transformação profunda em seu modelo de atuação. Tradicionalmente associado a projetos baseados em alocação de talentos (body shop), o grupo migrou gradualmente para um modelo orientado à entrega de valor, com serviços estruturados, projetos complexos e soluções próprias. "Hoje podemos dizer que somos uma empresa que concebe, pensa e desenvolve produtos de forma mais rápida e eficiente que a média do mercado", afirma Romero.
Essa virada estratégica ganhou tração definitiva com o desenvolvimento da plataforma TATe AI (Taking Agile Teams), suíte de inteligência artificial criada a partir de um framework interno de gestão de projetos. A ideia surgiu dentro da área de pesquisa e desenvolvimento, inicialmente com o objetivo de aumentar a produtividade interna. Romero, no entanto, fez uma exigência clara: transformar a tecnologia em produto escalável, capaz de ser oferecido ao mercado.
O resultado foi uma plataforma que atua de forma fim a fim, desde a concepção de produtos até sua operação, passando por ideação, discovery, análise de mercado, definição de backlog e aceleração do desenvolvimento. Diferentemente de soluções focadas apenas em codificação, a TATe AI atua na causa raiz dos projetos, integrando áreas de negócio e tecnologia e reduzindo perdas de foco, conhecimento e alinhamento. Segundo o executivo, a plataforma permite conceber produtos até 60 vezes mais rápido, além de acelerar significativamente frameworks como Design Thinking, Design Sprint e Lean Inception.
A flexibilidade da TATe AI é um de seus principais diferenciais. Baseada em pré-indicadores e conjuntos adaptáveis de métricas, a solução atende diferentes segmentos e perfis de empresa, independentemente do mercado. Além de apoiar a criação de novos produtos, a plataforma também analisa soluções já existentes, identifica concorrência, avalia potencial de mercado e projeta retornos sobre investimento (ROI) de forma automatizada e inteligente.
Atualmente, o TATe AI é utilizado tanto como ferramenta interna — acelerando os projetos do próprio Grupo Taking — quanto como produto em modelo SaaS, adotado por clientes de grande porte. Entre os usuários estão empresas como Copastur, ABInbev, Cultura Inglesa e Telesena. Os resultados práticos incluem aumento de 64% na eficiência de processos de retarifação no setor de viagens corporativas, redução de semanas para dois dias no tempo de conciliação e ganhos expressivos em recrutamento e seleção, como corte de 50% no tempo de triagem de currículos e aumento de 30% na aderência de perfis às vagas.
A maturidade da plataforma e os resultados obtidos chamaram a atenção do cenário internacional. Em novembro de 2025, o Grupo Taking foi convidado a apresentar a TATe AI no Web Summit Lisboa.
Para o CEO, a experiência reforçou a percepção de que o mercado europeu ainda está em fase de experimentação em IA, com muitas ideias e poucos projetos efetivamente consolidados. "Não vi uma maturidade muito superior à nossa. Há muito discurso e pouca execução", avalia. Ainda assim, a participação no evento gerou resultados concretos: novos contatos, pipeline internacional relevante, provas de conceito em andamento e interesse especial de empresas espanholas, e além disso a participação no evento acabou gerando interesse e negócios com empresas brasileiras que não conheciam a Taking.
Com mais de 120 clientes ativos — número cinco vezes maior do que o registrado há dois anos — o Grupo Taking atende empresas como Bradesco, Yamaha, HDI Seguros, Creditas, Starbucks, Subway, Dafiti, ABInbev, Telesena, Nubank e Scala Data Centers. A companhia também atua em projetos estratégicos para grupos como Mondelez, incluindo iniciativas críticas como o projeto de Páscoa, responsável por cerca de 50% da meta anual da empresa cliente.
Os números sustentam o otimismo da liderança. Entre 2020 e 2025, o Grupo Taking registrou um crescimento nominal total de 90% e um CAGR de 14%. O objetivo declarado é ambicioso: figurar entre as dez maiores empresas de tecnologia do Brasil nos próximos 20 anos. Para isso, a TATe AI foi definida como a principal alavanca de crescimento, posicionando a companhia em um patamar diferenciado no mercado de transformação digital.
Para 2026, a empresa já trabalha na versão 2.0 da plataforma, com foco em agentes de IA sem código, orquestração de times híbridos (humanos e virtuais), módulos avançados de planejamento de negócios e agentes especializados em finanças e análise de mercado. A estratégia combina crescimento orgânico, expansão internacional e consolidação de uma cultura de uso responsável e produtivo da inteligência artificial.
Ao olhar para o futuro, Romero reforça a estratégia da empresa que marcou sua trajetória. "Poucas vezes vi um time tão preparado, comprometido e experiente como o que temos hoje. É isso que vai nos permitir fazer algo realmente diferente no mercado e consolidar a visão de que a inovação brasileira pode competir — e entregar valor — em qualquer lugar do mundo".
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há 2 semanas
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