O presidente da Telebrasil e CEO da TIM, Alberto Griselli, defendeu nesta terça-feira, durante a abertura do Painel Telebrasil Summit 2026, uma revisão do modelo regulatório brasileiro para adequá-lo à transformação do setor de telecomunicações em uma atividade de escala global. Segundo ele, o ambiente institucional criado nas últimas décadas já não responde às mudanças provocadas pela digitalização da economia e pela ascensão das plataformas digitais.
Foto: Divulgação/ConexisAo abrir o evento, Griselli afirmou que “o poder de mercado é hoje global, mas a perspectiva regulatória é estritamente local”, argumentando que as regras brasileiras continuam concentradas sobre as operadoras de telecomunicações enquanto plataformas digitais operam com menor carga regulatória.
“O setor de telecomunicações deixou de ser um negócio local. Hoje ele está inserido em um ecossistema digital global”, afirmou o executivo, ao defender uma coordenação mais ampla entre diferentes reguladores e políticas públicas voltadas ao ambiente digital.
Segundo Griselli, há atualmente uma “assimetria invertida” no setor: quanto maior o poder econômico de empresas globais, menores seriam as obrigações regulatórias locais incidentes sobre elas. Em contrapartida, afirmou que operadoras de telecomunicações seguem submetidas a exigências regulatórias crescentes apesar dos investimentos em infraestrutura.
O executivo também criticou o que chamou de “ciclo em que as regras produzem regras”, dizendo que a instabilidade regulatória afeta investimentos de longo prazo em infraestrutura digital.
Neutralidade de rede e plataformas
Entre os pontos defendidos pelo presidente da Telebrasil está a revisão da interpretação sobre neutralidade de rede. Segundo ele, as plataformas digitais e aplicações intensivas em tráfego deveriam contribuir para a sustentabilidade econômica das redes.
“Quem usa a rede intensivamente precisa contribuir para a sua sustentabilidade”, afirmou Griselli, ao defender o “superamento de uma interpretação obsoleta da neutralidade da rede”.
O executivo também citou como prioridades o compartilhamento de infraestrutura, a segurança jurídica para investimentos, a proteção das redes contra furtos e o redesenho dos fundos setoriais. Segundo ele, o setor arrecadou R$ 268 bilhões em fundos nos últimos 26 anos, mas parte desses recursos deixou de cumprir sua finalidade original.
Griselli afirmou ainda que o Brasil precisa remover barreiras regulatórias e institucionais para acelerar a transição do “Brasil conectado” para o “Brasil digital”. Segundo ele, infraestrutura de data centers, energia limpa e governança de dados serão elementos centrais dessa transformação.
Abertura do Painel Telebrasil
O Painel Telebrasil Summit 2026 reuniu representantes do Executivo, Congresso Nacional, Anatel e empresas do setor. A abertura contou com a presença do ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho; do presidente da Anatel, Carlos Baigorri; do senador Eduardo Gomes; do senador Esperidião Amin; do deputado Aguinaldo Ribeiro; da deputada Maria Rosas; e do deputado Juscelino Filho.
Na abertura, Griselli classificou o momento atual como uma fase de transição “do Brasil conectado para o Brasil digital”.
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