O diretor de Assuntos Regulatórios da TIM, Mario Girasole, afirmou que o avanço da inteligência artificial e da digitalização exige revisão das políticas regulatórias aplicadas ao setor de telecomunicações e ao ecossistema digital. Segundo ele, algumas medidas regulatórias acabam extrapolando seus objetivos originais e podem gerar distorções de mercado.
Foto: Divulgação/ConexisDurante painel no Telebrasil Summit 2026, na terça-feira, 19, em Brasília, Girasole classificou a inteligência artificial como uma “tecnologia de propósito geral”, comparável a transformações estruturais como eletricidade e ferrovias. “A inteligência artificial é uma tecnologia de propósito geral”, afirmou.
De acordo com Girasole, essa transformação exige políticas públicas integradas e uma revisão das estruturas regulatórias existentes. “Mais que um regulamento, mais que uma lei, nós temos que colocar uma frente de reflexões integradas”, declarou.
O executivo afirmou que as redes de telecomunicações não podem mais ser tratadas apenas como infraestrutura passiva. “A rede não é um entubo”, disse. Girasole acredita que o avanço da conectividade crítica e das aplicações baseadas em IA exige atualização de conceitos regulatórios historicamente aplicados ao setor.
“Algumas definições regulatórias e de política pública precisam ser revisitadas”, afirmou.
“Doping regulatório”
O executivo ainda afirmou que um dos riscos do ambiente regulatório é o excesso de intervenção. “Eu estou mais preocupado no doping regulatório”, declarou.
E acrescentou que algumas medidas acabam extrapolando objetivos concorrenciais e podem gerar efeitos insustentáveis no médio prazo. “Quando a medida extrapola um pouco o objetivo e as condições de mercado estão insustentáveis no médio prazo”, afirmou.
Girasole também citou riscos relacionados à reversão de sinalizações regulatórias previamente consideradas consolidadas pelo setor. “Compartilhamento de infraestrutura, renovação de espectro, eram temas que a gente considerava pacificados”, disse.
Ecossistema integrado
Para o executivo, o ambiente digital deve ser tratado como um ecossistema integrado, sem separação rígida entre infraestrutura de telecomunicações, plataformas digitais e dados. “O ecossistema digital tem que ser enxergado como um todo”, afirmou.
Ele ainda defendeu maior coordenação institucional entre órgãos públicos e estruturas regulatórias. “Hoje ainda existe um pouco de fragmentação”, declarou.
Isto porque, a transformação digital, conforme análise do executivo, exige atuação coordenada entre governo, reguladores e setor privado para garantir previsibilidade e expansão dos investimentos.
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