WiFi Livre SP: rede de 7,9 mil pontos e 1 bilhão de acessos na mira da Polícia Civil

há 3 semanas 24

A investigação da Polícia Civil e do Ministério Público sobre o contrato de R$ 108 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo para expansão do programa WiFi Livre SP trouxe novamente ao centro do debate uma das maiores iniciativas de conectividade pública do país.

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Criado em 2014, o WiFi Livre SP nasceu para oferecer acesso gratuito à internet em praças e espaços públicos da capital paulista. O primeiro ponto foi instalado no Pateo do Colégio e, ao longo da última década, o programa evoluiu de uma rede com cobertura em áreas públicas para uma infraestrutura digital distribuída por praticamente toda a cidade.

Segundo a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT), a rede alcançou em abril de 2026 a marca de 1 bilhão de acessos acumulados. Atualmente, o programa opera 7.923 pontos ativos em praças, bibliotecas, escolas, unidades de saúde, centros culturais, telecentros, pontos de ônibus e comunidades. Desse total, 3.200 pontos estão instalados em favelas e comunidades, resultado da expansão iniciada no segundo semestre de 2024.

Os números mostram a relevância da expansão. Apenas os pontos instalados em comunidades responderam por mais de 700 milhões de acessos, o equivalente à maior parte do uso registrado pela rede pública paulistana.

Como funciona a operação

O projeto investigado é executado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), por meio do Edital 01/SMIT/2024 da Prefeitura de São Paulo. O contrato prevê a implantação, operação e manutenção de até 5 mil pontos de acesso gratuitos em áreas de vulnerabilidade social da capital.

A implantação da infraestrutura ocorre com apoio de provedores regionais de internet (ISPs), responsáveis por fornecer a conectividade que alimenta os hotspots distribuídos pelas comunidades. O ICB coordena o mapeamento das áreas atendidas, a instalação dos equipamentos, a operação técnica e o monitoramento da rede.

Segundo dados oficiais da Prefeitura, os 3.200 pontos já implantados estão distribuídos pelas 32 subprefeituras da cidade e acumulam aproximadamente 763,4 milhões de conexões desde 2024. A média diária supera 1 milhão de acessos.

Velocidade e capacidade da rede

A infraestrutura utilizada nas comunidades opera com conexão dedicada de 600 Mbps por hotspot, modelo corporativo projetado para suportar até 150 usuários simultâneos. A configuração busca garantir estabilidade do serviço mesmo em áreas de alta demanda.

Os indicadores de utilização mostram que cada usuário consome, em média, 6,5 MB de download e 1 MB de upload por acesso. A rede é utilizada principalmente para navegação na internet, acesso a serviços públicos digitais, plataformas de ensino, aplicativos de mensagens, vídeos e busca por oportunidades de emprego.

A Prefeitura informa ainda que apenas 0,2% dos pontos permanecem temporariamente offline para manutenção, o equivalente a 56 equipamentos, índice que indica elevada disponibilidade operacional.

O contrato sob investigação

O contrato investigado prevê investimento de R$ 108 milhões para implantação e manutenção de 5 mil hotspots. Considerando a meta original, o custo contratual equivale a aproximadamente R$ 1.800 por ponto ao mês.

Os órgãos de investigação apuram a regularidade do processo de contratação, a execução dos serviços e a compatibilidade entre os valores pagos e a infraestrutura efetivamente entregue. Até o momento, não há decisão judicial sobre o caso.

Enquanto a investigação avança, os números oficiais mostram que a expansão do WiFi Livre Comunidades tornou-se o principal vetor de utilização da rede pública paulistana. Com quase 8 mil pontos ativos e 1 bilhão de acessos acumulados, o programa transformou a conectividade gratuita em uma das maiores políticas públicas de inclusão digital do país.

Comparativo: WiFi Livre SP ontem e hoje

Indicador Modelo PRODAM (2013-2015) Modelo atual (2024-2026)
Objetivo Wi-Fi gratuito em praças e espaços públicos Wi-Fi gratuito em comunidades periféricas
Quantidade inicial contratada 120 praças 5.000 pontos previstos
Quantidade efetivamente implantada 120 praças 3.200 pontos confirmados até o momento
Valor total do contrato R$ 9,2 milhões/ano R$ 108 milhões
Custo mensal médio R$ 6,4 mil por praça/mês R$ 1,8 mil por ponto/mês
Velocidade garantida ao usuário 512 Kbps download e upload mínimo de 1 Mbps por usuário
Usuários simultâneos não informado até 150 por hotspot
Cobertura praças públicas comunidades
Modelo de contratação Licitação com operadoras privadas Termo de colaboração com OSC

Fontes oficiais: PRODAM, licitação do WiFi Livre SP de 2013; documentação do programa; informações divulgadas pelo Instituto Conhecer Brasil e pela SMIT. >> A comparação direta do custo por praça da era PRODAM com o custo por hotspot do contrato atual é imperfeita. No modelo original, cada praça recebia cobertura para uma área pública inteira e o contrato incluía infraestrutura, conectividade e operação. Já o modelo atual remunera pontos individuais distribuídos dentro de comunidades, o que exige uma análise técnica mais aprofundada para determinar equivalência.

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