A nova geração da IA corporativa será construída dentro dos bancos de dados

há 3 dias 9

A próxima grande transformação da inteligência artificial corporativa não estará apenas nos modelos generativos, mas na capacidade das empresas de integrar IA diretamente à sua infraestrutura de dados. Essa foi a principal mensagem de Shasank Chavan, vice-presidente de Data, In-Memory and AI Technologies da Oracle, durante sua apresentação no Oracle Data Deep Dive, realizado nesta quinta-feira (21).

Ao longo da palestra, o executivo apresentou a visão da Oracle para a nova geração de aplicações corporativas baseadas em inteligência artificial, cenário em que agentes de IA passam a operar diretamente dentro dos bancos de dados, executando tarefas, acessando informações em tempo real e automatizando processos de forma autônoma.

Segundo Chavan, a velocidade atual de evolução da IA está comprimindo ciclos inteiros de desenvolvimento e tomada de decisão dentro das empresas. "Quando uma nova tecnologia surge, ela precisa de tempo. O tempo para construir aplicações, gerar insights e tomar decisões", afirmou.

Na avaliação do executivo, a chegada da IA generativa inaugurou uma mudança estrutural no mercado de tecnologia. "Com o ChatGPT, as pessoas perceberam que as máquinas agora conseguem fazer coisas em um nível que antes parecia exclusivamente humano", disse.

Mas, para Chavan, o impacto mais profundo ainda está começando. Segundo ele, o mercado está migrando rapidamente de modelos focados apenas em geração de respostas para arquiteturas baseadas em agentes inteligentes capazes de agir autonomamente dentro das operações corporativas.

"A IA agora não apenas automatiza tarefas. Ela começa a assumir responsabilidades", afirmou.

Levar a IA até os dados muda o jogo nos negócios

Um dos temas centrais da apresentação foi a crítica ao modelo atual de implementação de IA em muitas empresas. Segundo Chavan, boa parte das organizações ainda opera a partir de arquiteturas fragmentadas, nas quais dados precisam ser constantemente movidos entre plataformas, pipelines e aplicações.

Na visão do executivo, esse modelo aumenta a complexidade, custo operacional e exposição a riscos de segurança. "Você não quer criar pipelines extremamente complexos apenas para mover dados. Isso adiciona custo, risco e mais dificuldade operacional", afirmou.

A estratégia defendida pela Oracle é inverter essa lógica: levar a inteligência artificial até os dados corporativos, permitindo que modelos e agentes operem diretamente sobre as informações já armazenadas nas empresas.

"Nós queremos levar a IA até os dados privados, e não mover os dados para fora do ambiente onde eles estão", explicou.

Segundo Chavan, essa abordagem se torna ainda mais relevante diante da explosão de aplicações baseadas em IA generativa e do crescimento acelerado da demanda por análises em tempo real.

Agentes de IA entram no centro das operações

Durante a apresentação, o executivo detalhou como a Oracle está estruturando sua estratégia para IA agentica – conceito baseado em sistemas capazes de interpretar contexto, planejar ações e executar tarefas sem intervenção humana constante.

"Estamos saindo de sistemas que apenas respondem perguntas para sistemas que efetivamente completam tarefas em nome do usuário", afirmou. Segundo ele, agentes de IA devem assumir papel cada vez mais relevante dentro das operações empresariais, desde consultas analíticas até automação de processos corporativos complexos. 

Para que isso aconteça de forma eficiente, porém, Chavan destacou que o acesso aos dados precisa ocorrer com baixa latência, forte governança e segurança integrada à arquitetura. "Para IA agentica funcionar em escala, ela precisa de acesso extremamente rápido e seguro aos dados", afirmou.

A Oracle apresentou durante o evento funcionalidades voltadas justamente para esse cenário, incluindo ambientes privados para criação de agentes, execução de IA diretamente no banco de dados e mecanismos de memória para agentes inteligentes.

Fragmentação de dados trava inovação e escalabilidade da IA

Outro ponto fortemente criticado pelo executivo foi a pulverização de bancos de dados especializados nas empresas ao longo dos últimos anos.

Segundo Chavan, a busca por soluções específicas para diferentes workloads criou ambientes altamente fragmentados e difíceis de administrar. "Cada nova tecnologia adiciona mais uma camada de complexidade", afirmou.

O executivo classificou esse cenário como "caos de dados", problema que, segundo ele, passou a limitar a velocidade de inovação, escalabilidade e eficiência operacional.

"Você não consegue continuar expandindo sua arquitetura adicionando novos bancos de dados o tempo inteiro", disse.

A resposta da Oracle para esse problema é o conceito de banco de dados convergente, capaz de suportar workloads relacionais, vetoriais, documentos, grafos e análises dentro de uma única arquitetura.

"Tudo foi projetado para funcionar em conjunto, para que as empresas avancem mais rápido sem desperdiçar recursos conectando plataformas diferentes", afirmou.

Segurança é prioridade absoluta

Com agentes ganhando autonomia para acessar dados e executar ações, Chavan afirmou que a segurança deixa de ser uma camada adicional e passa a ocupar posição central nas arquiteturas corporativas de IA.

"A confiança está sendo redefinida porque os ataques estão vindo de todos os lados", afirmou. 

Segundo o executivo, o avanço da IA também aumenta a sofisticação dos ataques cibernéticos e exige novos mecanismos de proteção de dados. Ele alertou que agentes inteligentes podem tentar contornar regras de acesso caso não existam controles estruturais dentro das plataformas.

"Os agentes podem gerar SQL extremamente rápido e até tentar ignorar guardrails de segurança", disse.

Para ilustrar o risco, Chavan comparou sistemas tradicionais a hotéis onde todos os hóspedes recebem uma chave capaz de abrir qualquer quarto. "Você diz para cada hóspede que ele deve acessar apenas o próprio quarto. Mas será que isso é suficiente?", questionou.

Na visão do executivo, controles de segurança precisam estar embutidos diretamente na camada de dados, e não apenas nas aplicações.

"A IA precisa acessar dados sem jamais ultrapassar os limites de permissão definidos pelas empresas", afirmou.

O impacto da computação quântica na segurança corporativa

Além da IA, Chavan também apontou a computação quântica como uma das próximas grandes ameaças para segurança digital corporativa.

Segundo ele, a indústria já vive um movimento em que dados criptografados estão sendo interceptados hoje para serem descriptografados futuramente, quando a capacidade computacional quântica amadurecer.

"As pessoas estão capturando dados agora para tentar descriptografá-los no futuro", afirmou.

Como resposta, a Oracle anunciou a incorporação de criptografia resistente à computação quântica diretamente em sua infraestrutura de banco de dados. "Queremos garantir que os dados permaneçam protegidos mesmo quando a computação quântica se tornar realidade", disse.

Ao encerrar sua apresentação, Chavan afirmou que a combinação entre IA, dados unificados e segurança integrada definirá os líderes da próxima geração tecnológica.

"Acreditamos que as empresas que conseguirem unir IA, dados e arquitetura de forma consistente serão as que vão liderar essa nova era", concluiu.


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