
A Ascenty vai investir US$ 1,2 bilhão nos próximos 18 meses para expandir sua infraestrutura de data centers voltada à IA no Brasil. Os novos projetos incluem quatro unidades na região de Campinas, sendo o Sumaré 3 apresentado pela empresa como o primeiro grande data center da América Latina concebido desde a origem para cargas de inferência de IA e com refrigeração líquida integral.
Segundo a companhia, os contratos assinados nos últimos três meses representam expansão equivalente a 40% de toda a capacidade instalada pela empresa ao longo de seus 15 anos de operação.
“Tudo o que nós fizemos nos últimos 15 anos, a gente está, basicamente, aumentando a nossa capacidade em 40% em apenas três meses”, afirmou Chris Torto, CEO da Ascenty. “É um grande investimento. Quando outros falam de investimentos futuros, a gente está falando que nós vamos colocar US$ 1,2 bilhão nos próximos 18 meses.”
A empresa afirma que os projetos anunciados já têm contratos assinados. “Primeiramente, nós só construímos data centers quando nós temos contratos assinados”, disse Torto. “Quando nós anunciamos alguma coisa, é porque nós temos um contrato fechado.”
Sumaré 3 será dedicado a IA
O principal projeto é o Sumaré 3, que terá 90 MW de capacidade total, dos quais 60 MW já estão contratados por um único cliente global de tecnologia, segundo a companhia.
“Em Sumaré 3 teremos o primeiro grande data center só para IA”, afirmou Torto. “Nós vamos entregar 60 megawatts para um cliente global de tecnologia.”
Segundo a Ascenty, o data center utilizará apenas refrigeração líquida. “É o primeiro data center no Brasil projetado dessa forma”, disse o executivo.
Marcos Siqueira, CRO da empresa, afirmou que o novo projeto é voltado principalmente para inferência de IA. “É possível também rodar determinadas capacidades para IA ainda no modelo de data centers que nós já temos”, disse. “Mas dependemos da capacidade computacional que você tem naquele ambiente, em que o liquid cooling passa a ser necessário”, disse.
Segundo ele, a empresa já opera racks de IA em estruturas existentes, mas o avanço das cargas computacionais deverá levar a retrofits em unidades mais antigas. “Ao longo dos anos, sim, nós vamos fazer o chamado retrofit”, afirmou Torto sobre os data centers inaugurados desde 2011.
Vinhedo amplia corredor de IA
Além do Sumaré 3, a empresa expande o campus de Vinhedo. O Vinhedo 3 terá capacidade de 90 MW e também será single-tenant, segundo a companhia. Já os projetos Vinhedo 4 e 5 estão em fase pré-construtiva e poderão operar como unidades dedicadas ou híbridas.
Com os novos anúncios, a Ascenty passa a contabilizar 40 data centers entre unidades em operação, construção e pré-construção. Atualmente são 26 em operação, sendo 21 no Brasil.
Marcos Siqueira afirmou que a região de Campinas reúne características consideradas estratégicas para hyperscalers. “A região metropolitana favorece com os aspectos de ter terra, mão de obra qualificada e conectividade disponível”, disse.
Energia e transmissão viram gargalo
A expansão exigiu investimentos próprios em infraestrutura elétrica. Segundo Torto, a empresa investiu US$ 50 milhões em linhas de transmissão entre Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré para viabilizar os projetos.
Chris Torto, CEO da Ascenty (Imagem: Adriano Camargo)“Dez anos atrás, nós nem pensamos em investir em linhas de transmissão. Hoje em dia estamos fazendo”, afirmou. “Talvez seja o maior gargalo, não é na geração da energia, mas nas linhas de transmissão.”
Segundo a companhia, toda a operação utiliza energia renovável em modelo de autoprodução. “100% da energia que nós usamos hoje é em autoprodução”, disse Torto. “E nós vamos manter isso aqui.”
Eficiência energética e água
A Ascenty afirmou operar com PUE próximo de 1,45 nos novos projetos. Segundo os executivos, a empresa decidiu priorizar redução do consumo de água, mesmo com impacto sobre eficiência energética.
“Nós podíamos ter eficiência melhor se usássemos água”, afirmou Torto. “Mas decidimos não usar água, para não criar nenhum problema.”
A empresa informou trabalhar com circuito fechado de refrigeração. “A mesma água que eu coloco no momento que estou iniciando a operação do data center, eu vou operar a vida toda com aquilo”, disse Marcos Siqueira.
Segundo ele, o consumo hídrico operacional do campus de Vinhedo em 2025 equivaleu ao de nove residências com quatro moradores, concentrado em copa e banheiros.
ReData pode acelerar expansão
Os executivos defenderam a aprovação do ReData como mecanismo para antecipar benefícios da reforma tributária aplicados a investimentos em data centers.
“O Redata vai trazer a reforma tributária de 2032 para hoje”, afirmou Torto. Segundo ele, os clientes da empresa deverão investir quase US$ 5 bilhões em equipamentos para os novos projetos. “Essas empresas globais de tecnologia estão olhando o mundo todo para investir, e o ReData pode acelerar as decisões e trazer para o Brasil”, afirmou.
O CEO disse que o ReData não foi determinante para os contratos já fechados, mas poderia ampliar significativamente o volume de investimentos futuros. “Não influenciou nas decisões dos atuais clientes”, afirmou. “Mas o que eu estou dizendo é que esse crescimento poderia ser muito maior.”
Para Torto, o momento de decisão dos hyperscalers ocorre agora. “As grandes empresas de tecnologia estão escolhendo agora”, disse. “E não vão esperar até 2032 para tomar a decisão onde vão colocar esses data centers.”
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