Carteiras digitais crescem na esteira do Pix

há 5 horas 2

Alvo de críticas do governo dos Estados Unidos, o avanço dos pagamentos digitais no Brasil está sendo impulsionado por duas frentes que evoluem em ritmos e funções diferentes. De um lado, o Pix se consolidou como a principal infraestrutura de transações instantâneas. De outro, as carteiras digitais (wallets) ampliam sua participação em compras online, pagamentos por aproximação e serviços financeiros integrados, reforçando uma dinâmica de crescimento complementar.

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Dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), com base em estatísticas do Banco Central, mostram que o Pix movimentou 68,7 bilhões de transações em 2024, um crescimento de 52% em relação ao ano anterior. O sistema já é utilizado por cerca de 170 milhões de brasileiros, tornando-se o principal meio de pagamento digital do país.

A expansão do Pix também tem sido acompanhada por uma mudança no perfil de utilização. Inicialmente concentrado em transferências entre pessoas, o sistema ganhou espaço nas transações entre consumidores e empresas, consolidando sua presença tanto no varejo físico quanto no comércio eletrônico. Estudos da EBANX apontam que os pagamentos pessoa-para-negócio já representam parcela semelhante às operações entre pessoas, refletindo a crescente adoção do meio de pagamento pelo setor empresarial.

Ao mesmo tempo, as carteiras digitais seguem ampliando sua relevância no ecossistema financeiro. Soluções como Apple Pay, Google Pay, Mercado Pago, PicPay e NuPay vêm sendo incorporadas à rotina dos consumidores principalmente por oferecerem conveniência, autenticação biométrica e experiências de pagamento simplificadas.

e-Wallets

As carteiras digitais (e-Wallets) mantêm uma trajetória de expansão no Brasil e na América Latina, impulsionadas pela digitalização dos serviços financeiros e pela crescente adoção de pagamentos móveis. O relatório EBANX & PCMI Report aponta que o segmento deve registrar crescimento médio anual de 13% entre 2024 e 2028.

O movimento acompanha a rápida evolução da penetração das wallets na região. Segundo o Índice de Inclusão Financeira 2025, elaborado pelo Credicorp com pesquisa da Ipsos em países da América Latina, a proporção de consumidores que possuem carteira digital quadruplicou entre 2021 e 2025, passando de 11% para 43%. No Brasil, esse avanço tem sido puxado principalmente pelo comércio eletrônico, pelos pagamentos por aproximação e pela integração das carteiras digitais aos aplicativos de bancos, fintechs e plataformas de serviços, consolidando as wallets como um dos principais vetores de transformação do mercado de pagamentos.

Reforçando o avanço, o levantamento da PYMNTS Intelligence em parceria com Google Wallet, mostra que 47% dos consumidores brasileiros utilizaram carteiras digitais para pagamento de contas em 2024, enquanto 27% recorreram às wallets para compras online. O estudo também apontam que 84% havia utilizado as carteiras digitais nos 12 meses que antecereram a pesquisa, e que 34% dos usuários esperam utilizar essas plataformas para armazenamento de documentos digitais nos próximos anos.

A evolução do mercado mostra que Pix e wallets ocupam posições distintas. Enquanto o Pix funciona como infraestrutura nacional de pagamentos instantâneos operada pelo Banco Central, as carteiras digitais atuam como uma camada de serviços e experiência do usuário. Na prática, uma wallet pode utilizar diferentes meios de pagamento, incluindo cartões e o próprio Pix, o que ajuda a explicar o crescimento simultâneo dos dois modelos.

Essa convergência também está presente na estratégia das instituições financeiras. A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária aponta que bancos e fintechs vêm investindo tanto na expansão dos serviços baseados em Pix quanto na integração com carteiras digitais e no desenvolvimento de superapps capazes de reunir pagamentos, investimentos, seguros e outros serviços em uma única plataforma.

Outro fator que favorece a expansão das wallets é o crescimento dos pagamentos por aproximação. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), essa modalidade já responde pela maior parte das transações presenciais realizadas com cartões no país, ampliando o espaço para o uso de carteiras digitais em smartphones e dispositivos conectados.

As projeções do setor indicam que as carteiras digitais devem manter ritmo consistente de crescimento nos próximos anos, impulsionadas pela digitalização do consumo, pela evolução dos aplicativos financeiros e pela busca por experiências mais simples e seguras. Nesse cenário, o Pix segue ampliando sua abrangência como infraestrutura de pagamentos, enquanto as wallets fortalecem sua posição como interface digital para transações e serviços, consolidando um modelo de coexistência que redefine o mercado brasileiro de pagamentos.

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