Claro cresce em portabilidade. É o efeito NuCel?

há 3 semanas 16

 Freepik portabilidade

A portabilidade numérica móvel registrou uma aceleração dos ganhos líquidos da Claro nos últimos meses, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) analisados em relatório da XP Investimentos (XP Research). O movimento foi mais intenso em outubro e novembro de 2025, período em que a operadora ampliou de forma relevante o saldo positivo de clientes que migraram de outras prestadoras mantendo o número de telefone.

O relatório, assinado pelos analistas Bernardo Guttmann e Luís Chagas, ambos da área de telecomunicações da XP Research, avalia a evolução da portabilidade móvel nos últimos 12 meses com base nos dados oficiais da Anatel. De acordo com a análise, a Claro permanece como a principal receptora líquida de acessos móveis no país, enquanto a TIM segue como a maior doadora líquida no período.

O destaque apontado pelos analistas é a mudança recente de patamar no saldo de portabilidade da Claro. Em outubro de 2025, a operadora registrou saldo líquido positivo de aproximadamente 104 mil acessos, e em novembro, de cerca de 98 mil acessos. Segundo a XP, esses números representam uma aceleração relevante (quase o dobro) na comparação com a média mensal observada entre outubro de 2024 e setembro de 2025.

No mesmo intervalo, os dados consolidados indicam deterioração no desempenho de portabilidade de outras operadoras. A Vivo, que vinha apresentando saldo médio positivo no período anterior, passou a registrar perdas líquidas em outubro e novembro. Já a TIM ampliou o volume médio de acessos doados, reforçando sua posição como principal origem das migrações para concorrentes.

No relatório, os analistas da XP avaliam que a atuação da NuCel, MVNO baseada na rede da Claro, pode estar entre os fatores associados ao movimento recente. Segundo o documento, a aceleração da portabilidade coincide temporalmente com a intensificação de esforços comerciais, incluindo campanhas de marketing e a ampliação da oferta de chips físicos pela fintech.

A própria XP, no entanto, faz uma ressalva. Os dados de portabilidade divulgados pela Anatel não permitem isolar o impacto específico da NuCel, uma vez que as informações são reportadas no nível da operadora, sem distinção por marca, canal ou oferta comercial. Dessa forma, a associação entre a atuação da NuCel e o desempenho recente da Claro é tratada pelos analistas como hipótese baseada em coincidência temporal, e não como relação causal comprovada.

Ainda assim, Bernardo Guttmann e Luís Chagas destacam que a magnitude da aceleração observada nos dois últimos meses analisados pode indicar mudanças mais rápidas na dinâmica competitiva do mercado móvel, que ainda não se refletem plenamente nas participações de mercado agregadas. Para a XP, a portabilidade segue sendo um indicador relevante para acompanhar pressões competitivas entre as operadoras.

Ler artigo completo