Correios apresentam plano de reestruturação e estudam abrir capital

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Os Correios anunciaram nesta segunda-feira, 29, um plano integrado para a recuperação dos níveis de serviço e o reposicionamento da estatal no mercado logístico. A estratégia foi apresentada pelo presidente da empresa, Emmanoel Rondon, durante entrevista coletiva à imprensa e está detalhada no Plano de Recuperação dos Níveis de Serviço aos Clientes, elaborado pela Diretoria de Negócios e com início de implementação previsto para janeiro de 2026.

CorreiosFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segundo o presidente dos Correios, o plano parte do diagnóstico de perda de previsibilidade e competitividade em segmentos relevantes do mercado e busca “reorganizar a operação a partir da lógica de valor para o cliente, respeitando os limites orçamentários da empresa”. A proposta combina ajustes operacionais, revisão de prazos e um novo modelo de relacionamento com clientes considerados estratégicos para a geração de receita e reputação da estatal.

Dois eixos estruturantes

O plano está organizado em dois eixos complementares. O primeiro trata da recuperação dos atributos dos produtos logísticos — como prazos, estabilidade operacional e eficiência — enquanto o segundo estabelece um Modelo de Excelência no Relacionamento com Clientes Estratégicos. A lógica, segundo a direção da empresa, é integrar desempenho operacional e gestão comercial para sustentar a recuperação no médio e longo prazo.

No eixo operacional, a estatal prevê quatro fases. A primeira envolve diagnóstico detalhado e redefinição de prazos-alvo, com revisão do atual modelo de meta nacional uniforme e adoção de uma matriz segmentada por tipo de corredor logístico. A ideia é alinhar os SLAs à capacidade real da operação e às expectativas do mercado em cada região e fluxo.

A segunda fase prevê o redesenho da malha logística, aérea e rodoviária, com priorização de trechos de maior densidade de carga, relevância comercial e impacto em market share. Já a terceira etapa trata do alinhamento ao teto orçamentário, com revisão de contratos, ajustes de despesas e realocação de recursos para maximizar retorno comercial sem ultrapassar os limites financeiros anuais.

Por fim, a quarta fase concentra-se na execução operacional e no monitoramento intensivo da qualidade, com implantação de novos painéis de acompanhamento por cliente e por corredor, relatórios quinzenais de estabilização e mecanismos contínuos de correção de rota.

Clientes estratégicos

O segundo eixo do plano é voltado especificamente ao relacionamento com clientes estratégicos, definidos a partir de critérios como impacto em receita, volume, reputação e competitividade. Para esse grupo, os Correios pretendem oferecer tratamento operacional diferenciado, com fluxos dedicados, capacidade reservada e soluções customizadas.

O modelo prevê a identificação específica das cargas desses clientes ao longo do fluxo postal, integração tecnológica para maior visibilidade e métricas próprias de desempenho e satisfação. A implantação será feita de forma gradual, começando por projetos-piloto assistidos e posterior escalonamento nacional, conforme o amadurecimento da operação.

De acordo com Emanuel Rondon, a proposta não é apenas recuperar padrões anteriores, mas estabelecer um novo patamar de serviço. “A ambição é construir um modelo sustentável de excelência logística e comercial, capaz de competir nos segmentos mais exigentes do mercado”, afirmou durante a coletiva.

Monitoramento e governança

O plano também reforça a necessidade de governança e transparência na execução. Estão previstos painéis executivos com indicadores de SLA, custo, volume e modais utilizados, além de comparações permanentes entre fluxos tradicionais e os novos modelos priorizados. A expectativa da estatal é que o acompanhamento sistemático permita ajustes rápidos e redução de riscos operacionais.

Com a implementação do plano integrado, os Correios buscam recuperar previsibilidade, fortalecer o relacionamento com grandes embarcadores e reposicionar a empresa em um mercado cada vez mais competitivo, marcado pela presença de operadores privados e pela crescente exigência por prazos confiáveis e rastreabilidade.

Debate sobre aporte e papel do acionista

Durante a coletiva, jornalistas insistiram sobre a possibilidade de reforço financeiro por parte da União, diante do histórico recente de dificuldades da empresa. Rondon afirmou que qualquer discussão sobre aporte deve ser separada da execução do plano operacional.

“Uma coisa é a agenda de eficiência e recuperação de serviço, que é responsabilidade da gestão. Outra é a discussão sobre capitalização, que envolve o acionista e decisões de política pública”, disse. Segundo ele, o plano não foi concebido como condicionante para aportes, mas como instrumento para melhorar desempenho e gerar resultados operacionais.

Economia Mista

O presidente também ressaltou que a previsibilidade operacional é um fator-chave para a recuperação financeira. “Quando você entrega no prazo, reduz retrabalho, reduz custo e melhora a relação com o cliente. Isso tem impacto direto na sustentabilidade econômica da empresa”, afirmou.

Questionado sobre o futuro institucional da estatal, Rondon afirmou que discute-se internamente a possibilidade de transformar os Correios em uma empresa de economia mista (assim como Petrobras ou Telebras), mas afastou qualquer hipótese de privatização. “Não estamos falando de privatização. O que se discute é um modelo de empresa mista, que permita acesso a instrumentos de mercado e mais flexibilidade de gestão”, disse.

Plano de Demissão Voluntária (PDV)

Ainda durante a coletiva, o presidente reconheceu restrições financeiras relevantes. Outro ponto destacado foi o impacto dos passivos judiciais. Rondon também anunciou mudanças na governança da estatal, incluindo a substituição de superintendentes regionais. Por fim, Rondon confirmou que a empresa estuda um novo plano de demissão voluntária (PDV) como parte do processo de ajuste. Segundo ele, a medida é tratada como instrumento de reorganização e redução de custos, e não como solução isolada.

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