Corte no orçamento: Anatel perde R$ 51 milhões e revê prioridades

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A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aderiu à manifestação do Comitê das Agências Reguladoras Federais (COARF), divulgada em 2 de junho, que alerta para os impactos do bloqueio de aproximadamente R$ 51,8 milhões em seu orçamento discricionário. Segundo o comitê, a redução de cerca de 18% nos recursos das agências reguladoras ameaça atividades de fiscalização, a segurança jurídica e a execução de projetos estratégicos em setores essenciais da economia.

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O posicionamento ocorre poucos dias após a publicação do Decreto nº 12.990/2026, de 29 de maio, que estabeleceu os novos limites de movimentação e empenho dos órgãos federais como parte do contingenciamento orçamentário promovido pelo governo. Com a medida, o orçamento discricionário da Anatel foi reduzido de R$ 275,3 milhões para R$ 223,5 milhões.

Na manifestação, a agência não detalha quais programas ou iniciativas poderão ser afetados, mas ressalta que os recursos discricionários sustentam atividades essenciais para o funcionamento do sistema regulatório. Segundo o COARF, o bloqueio poderá limitar a capacidade das agências de executar ações de fiscalização, monitoramento de mercados regulados, desenvolvimento tecnológico e acompanhamento de investimentos em setores estratégicos da economia.

No caso da Anatel, os recursos são utilizados em atividades relacionadas à fiscalização dos serviços de telecomunicações, monitoramento do uso do espectro de radiofrequências, combate a interferências, supervisão das obrigações regulatórias das operadoras e modernização de sistemas e processos internos.

A preocupação surge em um momento de expansão da infraestrutura digital no país. A agência acompanha temas como a ampliação das redes 5G, a conectividade em áreas remotas, a evolução dos serviços via satélite, a internet das coisas e novas demandas regulatórias associadas à transformação digital. Embora a Anatel não tenha associado diretamente o bloqueio a projetos específicos, o COARF afirma que restrições dessa magnitude podem afetar a capacidade operacional das reguladoras e retardar iniciativas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico e tecnológico.

Na avaliação do comitê, as agências reguladoras desempenham papel central na supervisão de mercados que movimentam centenas de bilhões de reais em investimentos e contratos. Por isso, argumenta que a redução de recursos pode gerar impactos que vão além da gestão administrativa, alcançando a previsibilidade regulatória e o ambiente de negócios.

Com o novo cenário orçamentário, a expectativa do setor é acompanhar como a Anatel irá adequar sua atuação ao longo dos próximos meses, preservando atividades consideradas essenciais para a fiscalização, a regulação e o desenvolvimento das telecomunicações brasileiras.

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