A EAF, entidade constituída pelas teles para executar compromissos do leilão 5G, realizou importantes mudanças que envolvem uma troca no seu comando. À frente das atividades desde 2022, Leandro Guerra dará lugar à executiva Gina Duarte, atual diretora financeira de outra entidade executora de políticas públicas (a EACE/Aprender Conectado). A troca foi confirmada pela EAF nesta quinta-feira, 8.
A mudança foi definida em assembleia no final de 2025 que definiu alterações na governança da EAF. Agora, ela contará com um conselho gestor indicado pelo presidente do Gaispi (o grupo de acompanhamento da Anatel para o tema). As nomeações devem refletir prioridades de políticas públicas do Ministério das Comunicações.
"A nova governança instituída foi uma decisão das operadoras em razão do decidido no Acórdão n.º 294, de 29 de outubro de 2025, do Conselho Diretor da Anatel, que reconheceu a necessidade de mitigação de potenciais conflitos de interesse nas decisões relativas à execução das obrigações editalícias", explicou Edson Holanda, conselheiro da Anatel e presidente do Gaispi, ao TELETIME.
A decisão em questão concedeu atesto para Claro, TIM e Vivo das obrigações de criação e de aportes na EAF. Ao mesmo tempo, a Anatel restringiu o direito de voto das operadoras no Gaispi, como forma de evitar conflitos de interesse em projetos da EAF ainda em aberto (a rede privativa do governo e o Norte Conectado).
Como consequência dos movimentos e desembaraçadas de obrigações com a entidade executora, as operadoras decidiram também se retirar do board da EAF. Assim, a saída de Leandro Guerra é natural, dado que as teles que elegeram o executivo, ex-TIM.
Novo comando
Gina Duarte, que assume como CEO da EAF nesta sexta-feira, 9, também tem trajetória no setor de telecomunicações. Ela soma passagens por operadoras como Claro, Telefônica e Brasil Telecom, além de empresas como Ambev e Postal Saúde. Formada em Engenharia Eletrônica, Gina tem MBA em Finanças pelo IBMEC e atualmente cursa mestrado em Gestão e Políticas Públicas na FGV-SP.
Em abril de 2025, a dirigente foi escolhida como diretora administrativa e financeira da Aprender Conectado (EACE), que executa os compromissos do leilão 5G em educação conectada. A chegada dela na EACE ocorreu após mudança de governança similar à empreendida agora na EAF.
A diferença é que a gestão dos compromissos de educação foi integralmente assumida pelo governo. Já na EAF, o Gaispi seguirá com papel importante em indicações e decisões – embora em alguns casos estas precisarão ser referendadas pelo Conselho da Anatel (como no emprego de sobras de recursos ou de iniciativas para além do edital de 5G).
No fim do ano passado, a Anatel já prorrogou o prazo para conclusão dos compromissos restantes que ainda precisam ser executados pela EAF. As infovias do Norte Conectado devem ser concluídas até junho de 2028. Já a rede privativa do governo deverá ser concluída até dezembro de 2027.
Em paralelo, cabe à EAF a execução do Brasil Antenado, programa que garante acesso à TV aberta e gratuita para famílias inscritas no Cadastro Único residentes em localidades sem cobertura de TV terrestre.
Norte Conectado e rede privativa do governo ganham mais prazo
Desafio
"Assumo este desafio com a convicção de que o modelo de entidades privadas voltadas à execução de políticas públicas é um caminho sólido e eficiente, especialmente quando alia governança, agilidade e compromisso com resultados", afirmou Gina Duarte, em comunicado emitido pela EAF na quinta-feira, 8.
"O futuro da EAF passa por aprofundar a conectividade significativa, garantindo que os projetos gerem impacto concreto na vida das pessoas, ampliem o acesso à infraestrutura de comunicação e contribuam para o desenvolvimento social e econômico do País", afirma a nova CEO.
Já Leandro Guerra fez um balanço de sua atuação à frente da entidade. "Foi um período de construção intensa, marcado pelo trabalho coletivo de uma equipe altamente qualificada, pelo engajamento da diretoria e pelo compromisso permanente com entregas feitas com qualidade, celeridade e responsabilidade pública coordenadas pelo Gaispi / Anatel".
"Juntos, conseguimos antecipar em mais de um ano a liberação da faixa de 3,5 GHz, viabilizando a implantação do 5G no Brasil, avançar na entrega de infovias estratégicas na Amazônia e ampliar programas que levam conectividade e TV digital à população. Levo comigo o orgulho do trabalho realizado e minha gratidão a todos que fizeram parte dessa trajetória", destaca Guerra.
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há 1 mês
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