O presidente e fundador da Elea, Alessandro Lombardi, afirmou durante debate na Anatel nesta segunda-feira, 24, que o país precisa reconhecer formalmente os data centers como infraestrutura crítica, equiparando sua proteção à de setores como energia e água. Ele destacou que, apesar de sustentarem serviços essenciais, essas estruturas ainda não são reguladas e não recebem tratamento prioritário em situações de calamidade.

Lombardi relatou o caso do data center de Porto Alegre, adquirido da Oi e modernizado pela empresa, que permaneceu em operação durante as enchentes de 2024. Segundo ele, a unidade foi “o único data center da região sul que continuou funcionando”, garantindo serviços para operadoras, órgãos públicos e hospitais.
Operação sob risco durante as enchentes
O executivo descreveu que, à época da catástrofe no Rio Grande do Sul, a empresa enfrentou dias sem energia, sem água e com acesso comprometido, dependendo diretamente da concessionária de distribuição: “A noite chegou a Equatorial. Eles transportaram os seus servidores de barco”, lembrou.
Ele afirmou que mais de 3 milhões de usuários dependeram do funcionamento daquela estrutura para manter comunicação básica: “O presidente da TIM me telefonou às sete da manhã: ‘não perca o data center, tenho três milhões de pessoas se comunicando através daquele único POP’.”
Lombardi disse que, mesmo diante do risco sistêmico, a proteção civil não reconheceu o data center como prioridade: “Data center não está na lista das empresas que a gente precisa ajudar”, criticou.
Reivindicação por marco regulatório
Ainda durante o debate na Anatel, o presidente da Elea afirmou que a ausência de classificação oficial cria vulnerabilidade nacional: “Hoje o data center não é infraestrutura crítica do país, ele não é conhecido como tal.”
Ele defendeu que a Anatel avance na certificação prevista pela Resolução nº 780/2025, mas também na consolidação de um marco regulatório que estabeleça responsabilidades, padrões de segurança e integração com políticas de recuperação de desastres.
Lombardi também alertou para o fato de que “62% dos dados brasileiros residem no exterior” e associou essa dependência ao custo elevado para instalar grandes data centers no Brasil. Ele qualificou o ReData como um avanço ao “zerar o imposto” sobre equipamentos, mas disse que o país precisa também de segurança regulatória para atrair operadores de hiperescala.
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