Engenheiro do Google é acusado de usar dados internos para lucrar com apostas na Polymarket

há 6 horas 1

Tratar dados confidenciais de uma big tech como seus próprios cheats de trapaça pode ser o caminho mais rápido para uma acusação federal e, posteriormente, a prisão. Michele Spagnuolo, engenheiro de software do Google, descobriu isso na pele.

Cidadão italiano que vivia na Suíça, o funcionário de 36 anos está sendo acusado de utilizar dados confidenciais de buscas para manipular apostas na Polymarket, plataforma online de apostas baseada em "previsões".

Sob o pseudônimo de "AlphaRaccoon", Spagnuolo teria acessado informações não públicas sobre o "Year in Search" (ranking anual de buscas do Google) para realizar previsões com uma precisão – estranhamente – cirúrgica.

Segundo a denúncia criminal revelada em Nova York, Estados Unidos, o engenheiro movimentou cerca de US$ 2,75 milhões em apostas, transformando esse montante em um lucro de aproximadamente US$ 1,2 milhão. As autoridades afirmam que ele explorou sistemas internos para obter vantagem antes que os dados se tornassem públicos.

O que levantou as suspeitas dos investigadores foi uma aposta curiosamente certeira: o engenheiro previu que o artista indie D4vd seria a pessoa mais pesquisada no Google em 2025 – algo que, para os promotores, é o tipo de informação que não poderia ser prevista de forma razoável usando apenas dados disponíveis ao público.

O caso agora segue para a Justiça, onde Spagnuolo enfrenta acusações de fraude de commodities, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Se for condenado por todas as acusações, poderá enfrentar décadas atrás das grades.

Atualmente, o engenheiro está em liberdade após pagar uma fiança de US$ 2,25 milhões, enquanto o Google confirmou que ele foi afastado de suas funções.

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O episódio reacende o debate sobre os mercados de previsão, nos quais plataformas como a própria Polymarket operam em áreas judicialmente cinzentas. Enquanto entusiastas veem essas plataformas como ferramentas para antever o desfecho de eventos políticos e tendências, críticos alertam para a fragilidade das proteções contra o uso de informações privilegiadas.

Casos como este reforçam a pressão sobre os legisladores por uma fiscalização mais rigorosa das apostas. No Brasil, o governo já proíbe a Polymarket e a Kalshi, e barra mercados de apostas de previsão no país. Enquanto isso, a base governista já apresenta um projeto para banir qualquer tipo de aposta.

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