Gigantes reclamam que tokens de IA custam mais que funcionários

há 3 horas 2
Resumo
  • Microsoft e Uber reclamaram do alto custo dos tokens de IA.
  • O uso de tokens de IA está se tornando caro para as empresas, como Microsoft e Uber.
  • A consultoria Gartner prevê que o custo para um sistema de 1 trilhão de parâmetros deve cair cerca de 90% até 2030.

A promessa de transformação da inteligência artificial no ambiente corporativo veio acompanhada da ideia de redução de custos, em especial de pessoal. No entanto, gigantes da tecnologia como Microsoft e Uber já começaram a rever o uso interno de ferramentas de IA devido ao alto custo astronômico.

O motivo é o cálculo da quantidade de tokens processados: quanto mais a equipe usa a ferramenta, mais a empresa paga. Como nota o site de finanças Livemint, o problema é maior em ferramentas corporativas usadas por engenheiros, designers, gerentes de produto e times técnicos, já que o custo por token para escrever código, revisar tarefas ou automatizar processos é maior.

Por que os tokens são importantes?

No universo dos modelos de linguagem, tokens são pequenos pedaços de texto processados pela IA, que podem ser partes de palavras, palavras inteiras ou sinais. Eles entram na conta tanto quando o usuário envia um comando quanto na resposta do sistema.

Dessa forma, uma tarefa aparentemente simples pode consumir muitos tokens se envolver arquivos longos, códigos, histórico de conversa ou múltiplas etapas de raciocínio. Em equipes de engenharia, esse volume cresce ainda mais porque os modelos analisam repositórios, logs, mensagens, documentação e trechos de código.

Empresas tentam otimizar gastos com tokens

A Microsoft, por exemplo, ganhou as manchetes há duas semanas porque começou a cancelar as licenças do Claude Code. Ela redirecionará os times de engenharia para o GitHub Copilot CLI, solução do próprio ecossistema da big tech. Os funcionários terão até o fim de junho para fazerem a migração.

De acordo com o The Verge, os funcionários usavam a ferramenta da Anthropic há cerca de seis meses, após forte incentivo da própria Microsoft, e até preferiam a alternativa à plataforma interna.

Enquanto isso, na Uber, o CTO Praveen Neppalli Naga disse que o orçamento de 2026 para ferramentas de IA foi gasto em apenas quatro meses. Novamente, nota-se que a própria empresa criou rankings para destacar os times que mais utilizavam assistentes automatizados.

O fenômeno ganhou nome: “tokenmaxxing”. Na Amazon, funcionários estariam automatizando qualquer coisa para elevar os indicadores de uso de tokens e cumprir metas semanais. Eles afirmam que há “muita pressão” para o uso das ferramentas.

É claro que, como todas essas companhias estão inseridas na cadeia da IA, há uma supervalorização desse “incentivo”. No topo da cadeia, Jensen Huang, CEO da Nvidia, minimizou gastos altos e afirmou que “todo engenheiro que tem acesso a tokens será mais produtivo”.

IAs avançadas devem consumir mais, mas preço cai

O custo tende a aumentar com a chegada das IAs agênticas, segundo o Livemint. Diferentemente de um chatbot usado para responder a uma pergunta, os agentes executam tarefas em várias etapas: consultam dados, analisam resultados, tomam decisões intermediárias e continuam trabalhando até concluir uma demanda. Isso tudo consome muito processamento.

Projeta-se que o uso corporativo de IA pode multiplicar o consumo de tokens por 24 até 2030, chegando a 120 quatrilhões de tokens por mês no mundo. Entretanto, segundo a consultoria Gartner, o custo para um sistema de 1 trilhão de parâmetros deve cair cerca de 90% no mesmo período.

Gigantes reclamam que tokens de IA custam mais que funcionários