Griselli: Valor da Oi Soluções depende de prazos dos contratos

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A TIM vai avaliar a duração dos contratos, a natureza da carteira de clientes e a estrutura de custos da Oi Soluções antes de decidir se apresentará uma proposta pelos ativos B2B da companhia. A afirmação foi feita por Alberto Griselli, CEO da TIM Brasil, em entrevista ao TV.Síntese na última semana, durante o Painel Telebrasil 2026, realizado em Brasília.

Questionado se o valor de R$ 1,4 bilhão atribuído aos ativos da Oi Soluções é coerente, Griselli afirmou que a resposta depende da análise dos contratos hoje em carteira. Segundo ele, diferentemente de ativos como frequências, torres ou clientes de pessoa física, o negócio B2B tem como ponto central a vigência contratual.

“O que precisamos ver é o tamanho desse valor, a duração desses contratos e a natureza desses contratos”, comentou.

O executivo afirma que a TIM está fazendo uma análise detalhada a fim de verificar quanto tempo resta em cada contrato, quais são as condições de renovação e se, ao fim da vigência, o cliente precisa abrir nova concorrência.

“Se quando terminar o contrato precisa fazer um RFQ, automaticamente aquele contrato volta ao mercado. Então, você pode ganhar ou perder”, ressaltou.

Custos também pesam na avaliação

Griselli disse que o valor da Oi Soluções também depende do casamento entre receitas e custos. Segundo ele, parte da infraestrutura que antes era integrada à operação da Oi passou a ser fornecida por outros agentes de mercado, o que torna necessário avaliar a estrutura contratual de ambos os lados.

De acordo com o executivo, a TIM vê o B2B como uma frente de crescimento. A operadora escolheu verticais em que considera haver maior aderência com sua experiência em infraestrutura móvel, como agronegócio, utilities, mineração, rodovias, aeroportos, portos e ferrovias.

Griselli afirmou que a TIM já tem posição relevante em alguns desses segmentos e busca ampliar receitas fora do mercado móvel de consumo. “O mundo B2B, onde a infraestrutura é o ponto de partida, é uma área onde nós queremos crescer”, disse. Neste cenário, a Oi Soluções é vista como oportunidade para acelerar a expansão no mercado corporativo.

O CEO da TIM também afirmou que a presença da TIM no mercado B2B ainda é pequena quando comparada ao negócio móvel voltado à pessoa física, o que portanto não deve gerar travas antitruste caso adquira a Oi Soluções. “A nossa exposição no mundo B2B é relativamente pequena. É uma área de crescimento, mas uma área cujo ponto de partida hoje não é um core como o mobile pessoa física”, afirmou.

Ele afirmou ainda que a TIM se vê como uma entrante agressiva nos segmentos de banda larga e B2B. “Somos atackers”.

Presidente da Conexis defende revisão regulatória

Na mesma entrevista, Griselli, que também preside a Conexis Brasil Digital, defendeu uma revisão do ambiente regulatório brasileiro para acompanhar a transformação digital. Segundo ele, a regulação ainda é estruturada de forma vertical, enquanto a cadeia de valor digital passou a operar de maneira horizontal.

O executivo afirmou que o setor de telecomunicações sustenta a infraestrutura básica da economia digital e que a expansão de inteligência artificial e automação exigirá investimento, planejamento e segurança jurídica.

“Hoje nós temos uma abordagem tipicamente mais vertical, enquanto a cadeia do valor, o ambiente, é mais horizontal”, analisou.

A seu ver, o Brasil precisa discutir uma maior integração entre reguladores. Segundo ele, outros países já caminham para modelos mais convergentes de regulação digital, o que poderia servir de referência para o debate local.

“Essa reflexão deve ser debatida, pois essa é a solução caminhando em vários países, e eu pessoalmente acho uma solução positiva para o Brasil também”, afirmou.

Fistel deve ser remodelado, diz executivo

Como presidente da Conexis, Griselli também defendeu a remodelagem do Fistel. Segundo ele, a proposta do setor não é extinguir integralmente o fundo, mas ajustar sua arrecadação à finalidade original, que é custear a fiscalização da Anatel.

“A finalidade do Fistel é custear o custo de fiscalização da Anatel. Nasceu com esse objetivo”, afirmou. Mas, segundo o executivo, a contribuição das operadoras supera o necessário para financiar a agência e suas atividades de fiscalização. “O que precisa fazer no Fistel é remodular. O Fistel precisa fazer o papel pelo qual nasceu”, disse.