Lula descarta privatização dos Correios e atribui crise à gestão

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 18, que o governo federal não pretende privatizar os Correios, apesar da crise financeira enfrentada pela empresa. A declaração foi feita durante um café com a imprensa no Palácio do Planalto, seguido de entrevista coletiva, com a presença dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad; da Casa Civil, Rui Costa; das Relações Exteriores, Mauro Vieira; e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Lula disse lamentar a situação da estatal, mas ressaltou que o Brasil não pode manter empresas públicas operando com prejuízo. Segundo o presidente, o problema dos Correios está relacionado à gestão e não à natureza pública da empresa. “O dado concreto é que nós não podemos ter uma empresa pública, por mais importante que ela seja, dando prejuízo”, afirmou. Em seguida, completou: “Eu sempre digo que uma empresa pública não precisa ser a rainha do lucro, mas ela não pode ser a raiz do prejuízo, ela tem que se equilibrar”.

O presidente lembrou que historicamente sempre se posicionou contra a privatização dos Correios. “Eu lamento profundamente a crise do Correio, lamento profundamente porque o Correio, desde 1985, ainda quando o Saney era presidente, o Antônio Carlos Magalhães era ministro da comunicação, eu vim aqui, nesse prédio conversar com Antônio Carlos Magalhães contra a privatização do Correio”, disse.

De acordo com Lula, o governo já iniciou mudanças na condução da empresa, incluindo a troca da presidência. “Então, nós trocamos o presidente do Correios, chamamos a companheira Esther Dweck, que é a ministra responsável pelas empresas estatais, fizemos uma reunião com ela, com o Rui Costa, mudamos o presidente do Correios, colocamos alguém com muita expertise, com muita responsabilidade para ele apresentar um balanço concreto do que tem que ser feito no Correios”, afirmou.

Reestruturação e revisão de estrutura

Lula afirmou que o governo está disposto a promover alterações mais amplas na estrutura da estatal, incluindo cargos e presença territorial. “Nós vamos tomar as medidas que tiver que tomar, mudar todos os cargos que tiver que mudar”, disse. Segundo ele, a nova direção terá autonomia para indicar pessoas consideradas aptas a conduzir a recuperação da empresa.

O presidente também mencionou a possibilidade de revisão do número de agências dos Correios no país. “Vamos ver se é necessária a quantidade de agência dos Correios que tem pelo Brasil inteiro, porque eu já fui informado que tem alguma cidade que tem Correios que não compensa ter Correios lá, porque é deficitário demais”, afirmou. Ele citou ainda a possibilidade de compartilhamento de estruturas com outras empresas públicas para evitar duplicação de unidades em um mesmo município.

Lula rejeitou a avaliação de que mudanças tributárias recentes seriam a principal causa da crise financeira. “O Correios se queixa muito, sabe? Que quando nós taxamos as bolsinhas, sabe? Tirou um bilhão do Correios, não é isso, não. É outra coisa, deve ser gestão mesmo, muito equivocada, e nós resolvemos colocar a mão na ferida e resolver o problema”, disse.

Novo mecanismo para estatais em dificuldade

As declarações ocorrem em meio à edição de um decreto pelo governo federal que cria um mecanismo para permitir que empresas estatais federais não dependentes do Tesouro Nacional, mas em dificuldades financeiras, possam reorganizar suas contas sem serem automaticamente reclassificadas como dependentes. A medida altera regras sobre o processo de transição entre estatais dependentes e não dependentes e busca, segundo o governo federal, dar mais flexibilidade para ajustes de gestão e reequilíbrio financeiro.

Para Lula, o objetivo é entregar uma empresa recuperada. “Nós estamos levando muito a sério essa questão. Muito a sério”, afirmou. “A missão é entregar o correio recuperado, totalmente de pé e totalmente produtivo”.

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