Meio trilhão de reais: Paramount contrapõe proposta da Netflix pela Warner

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A Paramount oficializou nesta segunda-feira, 8 de dezembro, uma contraoferta pública para adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD) por US$ 108,4 bilhões, valor que corresponde a aproximadamente R$ 575,6 bilhões pelo câmbio de R$ 5,31. A proposta, apresentada de forma direta aos acionistas, busca substituir o acordo firmado entre WBD e Netflix quatro dias antes, em 4 de dezembro, avaliado em US$ 82,7 bilhões.

A transação proposta pela Paramount envolve o pagamento integral em dinheiro, com preço fixo de US$ 30 por ação da WBD. Segundo a empresa, a oferta representa um prêmio de 139% sobre o preço de referência das ações em 10 de setembro de 2025 e oferece US$ 18 bilhões a mais em caixa do que a estrutura acordada com a Netflix, que combina US$ 23,25 em dinheiro e US$ 4,50 em ações sujeitas a variações futuras. A Paramount critica o modelo da concorrente por deixar os acionistas expostos a riscos de valorização futura e por prever o desmembramento da unidade Global Networks em uma empresa independente, altamente alavancada.

Em comunicado oficial, o CEO da Paramount, David Ellison, afirmou que “os acionistas da WBD merecer a oportunidade de considerar nossa oferta superior toda em dinheiro e pela companhia inteira.” Ele acrescenta que a proposta atual replica exatamente os termos apresentados anteriormente de forma privada ao conselho da WBD, que preferiu a da Netflix.

A Paramount sustenta ainda que sua oferta possui maior viabilidade regulatória, ao contrário da transação com a Netflix, que uniria o líder global de streaming com um dos maiores estúdios de produção e distribuição de conteúdo, elevando o nível de concentração em vários mercados. O documento aponta que, em diversos países europeus, a combinação reuniria o primeiro colocado em SVOD com o segundo ou terceiro concorrente, o que exigiria múltiplas aprovações em processos longos e com desfecho incerto. No Brasil, vale destacar, o negócio também dependerá do escrutínio do Cade.

A proposta da Paramount inclui todo o conglomerado da WBD e não prevê a manutenção de estruturas residuais com endividamento elevado. A empresa afirma que manterá os estúdios das duas companhias e ampliará os investimentos em produção cinematográfica, com compromisso de manter os lançamentos em salas de cinema. A combinação também prevê a fusão das plataformas Paramount+ e HBO Max, com foco em competitividade frente a serviços já consolidados como Netflix, Amazon e Disney.

No campo esportivo, a futura companhia integraria um portfólio com direitos sobre NFL, Olimpíadas, UFC, PGA Tour, NHL, Big Ten, Big 12, NCAA Basketball e Champions League. O grupo também se compromete a buscar sinergias estimadas em mais de US$ 6 bilhões, além de US$ 3 bilhões previstos em plano de transformação já em curso na própria Paramount.

A empresa informou que o financiamento da transação está garantido por novo aporte de equity — com apoio da família Ellison e da RedBird Capital — e por US$ 54 bilhões em dívida já comprometida por Bank of America, Citi e Apollo. A operação não depende de aprovação de financiamento e terá documentação submetida à SEC e à autoridade antitruste dos Estados Unidos. A oferta expira em 8 de janeiro de 2026, às 17h no horário de Nova York, salvo prorrogação. (Com assessoria de imprensa)

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