*Por Arturo Torres
Pouco a pouco, Canadá, México e Estados Unidos se tornaram os epicentros da paixão mundial pelo futebol. No entanto, enquanto as seleções nacionais aprimoram suas táticas e os torcedores vestemm seus uniformes, outra partida já começou, silenciosa, rápida e implacável: o clássico da cibersegurança.
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Um evento dessa magnitude é para os cibercriminosos o que chegar à final é para os jogadores: uma oportunidade de ouro para o sucesso. Em 2026, o cenário digital na região se encontram em um ponto em que a inovação tecnológica e a prevenção de fraudes são de suma importância.
Quando falamos da Copa do Mundo, pensamos em gols, comemorações e turismo, mas, da perspectiva da segurança cibernética, esse evento é uma vasta rede de dados. Cada torcedor que entra em um estádio carrega um dispositivo móvel, consome dados, faz pagamentos eletrônicos e busca redes Wi-Fi para compartilhar sua experiência. Essa hiperconectividade é uma maravilha da inovação, mas também expande a superfície de ataque potencial para fraudes e golpes.
Os cibercriminosos são oportunistas e usam engenharia social, buscando enganar as pessoas apelando para as suas emoções. E que emoção poderia ser mais forte para um torcedor do que o desejo de participar de uma partida entre seus times favoritos?
Um dos golpes mais comuns é o phishing temático via e-mails ou mensagens de WhatsApp com ofertas incríveis de ingressos ou pacotes de viagens VIP. Essas mensagens, agora impulsionadas por inteligência artificial (IA), são isentas de erros ortográficos e usam logotipos e imagens notavelmente semelhantes aos oficiais, com o objetivo de que, no calor do momento, o usuário clique em um link malicioso e forneça seus dados bancários ou senhas.
Também vemos um aumento nos golpes de transmissão ao vivo. Torcedores impossibilitados de comparecer ao estádio buscarão maneiras de assistir às partidas online, e diversos sites surgirão oferecendo streaming gratuito em troca do download de um pequeno arquivo ou do cadastro com cartão de crédito para fins de verificação. Na maioria dos casos, o que o usuário baixa é um vírus que vai assumir o controle do seu dispositivo.
Para o setor empresarial, este evento esportivo representa uma oportunidade de ouro, mas também uma responsabilidade significativa.
Desde grandes redes hoteleiras até pequenas empresas que aceitam pagamentos digitais, todos fazem parte da cadeia de suprimentos do país. Uma empresa que sofre um ataque cibernético durante o torneio não perde apenas dinheiro ou dados, perde também a confiança de um mercado internacional atento.
Nesse sentido, a implementação de soluções tecnológicas avançadas deixou de ser um luxo. As empresas precisam entender que o cibercrime hoje é uma indústria automatizada. Portanto, a resposta deve ser igualmente tecnológica, por meio do uso de IA ou sistemas unificados baseados em nuvem para detecção de ameaças, com integração completa que proteja tudo, desde o computador do escritório até o celular do funcionário remoto.
Investimentos em tecnologia e cibersegurança durante esse período contribuirão para a criação de um ecossistema digital robusto que vai atrair ainda mais investimentos mesmo após a Copa do Mundo.
Ao fim da Copa do Mundo de 2026, quando o último torcedor voltar para casa e os estádios ficarem em silêncio, a verdadeira vitória não será medida apenas pelos gols, mas pela nossa capacidade de proteger a identidade, o patrimônio e a privacidade de cada indivíduo que faz parte desta história. *Arturo Torres é diretor de Inteligência de Ameaças do FortiGuard Labs na Fortinet para a América Latina e o Caribe.
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