Prevendo pico na Copa, IX.br fará upgrade de capacidade em 2026

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Julio Sirota, IX.br

O IX.br, projeto de interconexão de tráfego operado pelo NIC.br, atingiu em 2025 o pico de 30 terabits por segundo (Tbps) de tráfego em São Paulo e prepara uma nova rodada de atualização tecnológica do core da rede, com a introdução de portas de 800 gigabits por segundo (Gb) a partir de 2026. O balanço foi apresentado hoje, 17, durante o evento Semana Infraestrutura da Internet no Brasil, que acontece na capital paulista.

Segundo a coordenação do IX.br, o crescimento do tráfego em 2025 foi superior ao observado nos anos anteriores, com São Paulo puxando os números nacionais. A comparação entre novembro de 2024 e novembro de 2025 mostra variações regionais, incluindo uma queda pontual no Rio de Janeiro, atribuída à troca de blocos de endereços IP e à desativação de route servers antigos. “Apesar de todos os nossos esforços no sentido de pedir para todos que trocarem, fazerem essa migração, infelizmente na hora que a gente desativou o route server para os endereços antigos, a gente teve uma queda significativa de tráfego”, explicou Julio Sirota, do IX.br.

O IX.br encerrou o ano com 39 localidades ativas, tendo Ribeirão Preto como ativação mais recente e Macapá em fase final de implantação. Petrolina, Juazeiro e Santarém já estão em mapeamento para futuras expansões. O projeto mantém cerca de 190 pontos de interconexão (PIX) e quase 500 equipamentos de rede, além de aproximadamente 400 transceptores 400ZR em São Paulo, dos quais 111 foram ativados em 2025. Atualmente, há 47 portas de 400 Gb ativas no principal PTT do país.

Migração tecnológica e desafios energéticos

A pressão por capacidade levou o NIC.br a planejar a substituição dos dois equipamentos centrais do IX.br em São Paulo por plataformas compatíveis com transceptores coerentes de 800 Gb (800ZR). A atualização deve ocorrer entre abril e maio de 2026, antes do período de maior demanda associado à Copa do Mundo de Futebol, que começa em junho, com as migrações de 400 para 800 Gb previstas para depois do evento.

A apresentação destacou que o uso de transceptores coerentes impõe desafios adicionais de consumo e dissipação de energia, além de limites físicos de portas nos switches centrais. Equipamentos retirados de São Paulo deverão ser reaproveitados em outras localidades, ampliando a oferta de portas de 400 Gb em cidades como Fortaleza, Rio de Janeiro e Brasília.

OpenCDN amplia presença regional

O balanço também detalhou a expansão do OpenCDN, iniciativa de compartilhamento de infraestrutura para hospedagem de caches de conteúdo. Em 2025, Belém passou a operar com caches da Microsoft e da Netflix, enquanto a Meta ativou presença em Manaus, Recife e Salvador. O projeto mantém parcerias com CDNs como Google, Globo, Cloudflare, Netflix e Microsoft, variando conforme a localidade.

Uma das novidades foi a criação de um modelo de extensão de conteúdo entre PTTs próximos, levando caches de capitais para cidades do interior, além de incentivos como isenção de cobrança até 1 Gb de tráfego e gratuidade para tráfego IPv6 em localidades com estrutura completa. Segundo o NIC.br, todas as localidades do OpenCDN passaram a contar com redundância de links, reforçando a estabilidade do serviço.

Ao encerrar a apresentação, o Sirota informou que o cronograma do novo data center próprio foi adiado, com expectativa agora para 2027, após entraves burocráticos. A partir dessa migração, fibras atualmente conectadas à unidade da Avenida das Nações Unidas, em São Paulo, deverão ser transferidas para novas instalações em Santana e Panaíba.

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