Regionais apostam no móvel para reduzir dependência da banda larga fixa

há 3 horas 2

operadoras regionais

As operadoras regionais de telecomunicações apostam que a mobilidade deixará de ser um complemento da banda larga fixa para se tornar uma das principais fontes de receita do setor nos próximos anos. Essa foi a principal mensagem do painel que reuniu executivos de Unifique, Brisanet, Vero, iez! telecom e Amazônia 5G.

Apesar das estratégias distintas — redes próprias, MVNOs ou modelos híbridos —, todas as empresas relataram planos de expansão acelerada e expectativa de aumento da relevância financeira do negócio móvel durante evento nesta quinta, 11, realizado pelo site Teletime.

Saturação da fibra acelera busca por novas receitas

Fabiano Busnardo, da Unifique, afirmou que o mercado brasileiro de banda larga fixa está saturado e cada vez mais competitivo. Segundo ele, a mobilidade ajuda a diferenciar a oferta e reduz o churn.

A companhia já alcança adesão móvel equivalente a cerca de 22% de sua base de banda larga e espera que, em 2030, a receita móvel supere a da operação fixa. Atualmente, o móvel representa cerca de 7,5% das receitas da empresa.

Brisanet espera virada financeira do 5G

A Brisanet também vê a operação móvel ganhando autonomia financeira. Após investir aproximadamente R$ 2 bilhões na implantação da infraestrutura, a empresa já cobre mais de 16 milhões de habitantes e superou 1 milhão de clientes móveis.

“O 5G vai ter vida própria”, afirmou José Roberto Nogueira. Segundo ele, o mercado ainda não percebe plenamente o potencial econômico da operação porque a expansão da rede continua pressionando investimentos.

Vero quer ampliar atuação além da convergência

A Vero aposta em uma estratégia diferente. Depois de consolidar mais de 340 mil assinantes móveis, a empresa decidiu vender serviços móveis também para consumidores que não possuem banda larga fixa da operadora.

Segundo Fabiano Ferreira, a companhia enxerga um mercado endereçável de 27 milhões de clientes pós-pagos apenas nas cidades onde já atua, como MVNO. Hoje, o móvel representa cerca de 7% dos resultados da empresa. A meta é que a participação alcance entre 30% e 40% em até cinco anos.

ISPs como canal de distribuição

A estratégia da iez! telecom é utilizar provedores regionais como canal comercial. Segundo Anderson Ferreira, a companhia acredita que os ISPs possuem relacionamento local e estrutura suficiente para acelerar a adoção da mobilidade.

“A palavra é compartilhar”, afirmou. O executivo destacou que a empresa pretende combinar conectividade móvel com aplicações corporativas, FWA, agronegócio e serviços digitais.

Além da conectividade

Outro ponto comum entre os participantes foi a avaliação de que vender apenas acesso à rede não será suficiente.

A Vero destacou segurança digital, nuvem e inteligência artificial como componentes da oferta para empresas. Já a Amazônia 5G afirmou que pretende usar a infraestrutura móvel como base para projetos de educação, saúde e transformação digital na região Norte.

Para os executivos das operadoras regionais, o crescimento da receita dependerá menos da venda de gigabytes e mais da capacidade de agregar serviços digitais sobre as redes móveis que estão sendo construídas hoje.