
A equipe do NIC.br apresentou hoje, 17, durante a Semana de Infraestrutura da Internet do Brasil, um panorama atualizado sobre a distribuição e o uso de recursos de numeração da internet no Brasil, com destaque para a consolidação do IPv6 e para as restrições estruturais do IPv4. A exposição foi conduzida por Ricardo Patara (foto acima), do Registro.br.
Segundo ele, o Brasil soma hoje mais de 9 mil sistemas autônomos (ASNs) ativos. Em 2025, foram alocados 278 novos ASNs, mantendo uma média anual em torno de 260 nos últimos anos. O histórico mostra um pico de crescimento antes do esgotamento do IPv4 na região, seguido de acomodação do ritmo.
IPv6: alocação quase universal e uso acima de 50%
O avanço do IPv6 foi apontado como um dos principais marcos do cenário brasileiro. De acordo com o NIC.br, 98% dos ASNs no país já possuem alocação de IPv6, incluindo mais de 95% dos pequenos e médios provedores — grupo que responde por mais de 60% das alocações de recursos de numeração. Entre organizações classificadas como “usuário final”, o percentual também é elevado, próximo de 90%.
Além da alocação, o uso efetivo do IPv6 vem crescendo. Em um ano, a participação do protocolo no tráfego medido pelo Registro.br passou de cerca de 50% para 54%. A métrica considera o volume de acessos aos serviços do próprio Registro.br e está alinhada a dados do Google, que indicam proporção semelhante de tráfego IPv6 no país. Na comparação internacional, o Brasil lidera na América Latina; a França aparece como referência global, com participação próxima de 88%.
IPv4: reciclagem limitada e fila crescente
Embora esgotado desde 2020 na região do LACNIC, o IPv4 ainda retorna ao pool regional por meio de devoluções e recuperações de blocos não utilizados. Em 2025, foram liberados pouco mais de 19 mil endereços, abaixo dos 32 mil registrados em 2024. O NIC.br enfatizou que não há tendência previsível nesse processo e que a disponibilidade tende a diminuir.
A fila de espera por IPv4 ultrapassa 1.700 solicitações, das quais cerca de 60% são de organizações brasileiras. No último mês, o volume liberado representou menos de 0,14% do total necessário para atender toda a fila. “Não coloquem muita esperança nisso”, alertou Patara, ao defender a priorização do IPv6.
As transferências de IPv4 entre organizações seguem permitidas mediante justificativa de necessidade. Em 2025, houve crescimento de 39% no número de transferências em relação a 2024, totalizando mais de 770 mil endereços transferidos. A maior parte envolveu blocos pequenos e médios, típicos de operações de pequenos e médios provedores. Do volume transferido a partir de empresas brasileiras, 72% permaneceram no país.
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