Setor avalia reformulação do debate sobre fair share diante de boom da IA

há 5 dias 8
Setor avalia reformulação do debate sobre fair share diante de boom da IAImagem: Conexis Brasil Digital

O avanço da inteligência artificial (IA) deve levar o setor de telecomunicações a reformular o debate sobre fair share, discussão que envolve a remuneração das redes pelo tráfego gerado por grandes plataformas digitais. A avaliação foi feita nessa quarta-feira, 20, durante painel do Painel Telebrasil 2026, em Brasília.

"Agentes de IA vão fazer esse tráfego explodir, não só para transporte, mas para processamento e armazenamento de informação", disse o consultor e ex-conselheiro da Anatel, Igor Freitas. Segundo ele, esse cenário exige uma mudança no próprio conceito de fair share discutido nos últimos anos, para que investimentos de rede acompanhem essas evoluções.

"Aqui, a discussão permanece, mas com outra roupagem completamente diferente daquela que foi sendo debatida nos últimos anos, no âmbito do fair share", afirmou Freitas. De acordo com o consultor, as teles precisarão buscar novas fontes de receita ligadas à IA e deixar de atuar apenas como fornecedoras de conectividade.

Operadoras de telecomunicações já tem relatado dificuldades para monetizar redes diante do aumento de tráfego de dados relacionados à IA. A TIM, por exemplo, já disse que as teles devem buscar recursos dos demais elos dessa cadeia, como plataformas digitais, hyperscalers e big techs.

Teles vs. plataformas

Sócio da GO Associados, Gesner Oliveira alertou que o boom no tráfego de dados relacionados às aplicações de IA pode ampliar o risco de subinvestimento em infraestrutura digital por parte das operadoras de telecomunicações. "A inteligência artificial generativa coloca a absoluta necessidade de multiplicar várias vezes o investimento", afirmou. O consultor também defendeu mudanças regulatórias para reduzir desequilíbrios entre operadoras e plataformas digitais. "É preciso urgentemente evitar assimetria regulatória", comentou.

"Quando olhamos os dados do quanto o Brasil investe em tecnologia da informação, e do quanto os Estados Unidos, a China e a União Europeia investem, nós estamos comparando dezenas de bilhões com trilhões de dólares. Esse hiato esse ato é muito preocupante", disse Oliveira.

Já o conselheiro substituto da Anatel, Nilo Pasquali, afirmou que a agência acompanha os impactos da entrada de grandes plataformas digitais no setor de telecomunicações. Segundo ele, há empresas "muito maiores que o próprio setor de telecomunicações" atuando "sob regulações completamente diferentes".