Starlink soma 10,3 milhões de assinantes e 61% da receita da SpaceX

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Kits da Starlink para escolas no ParaFoto: Marco Santos / Ag. Pará

A SpaceX, empresa aeroespacial dona da operadora de banda larga via satélite Starlink, enviou à SEC, órgão que regula o mercado de capitais dos Estados Unidos, na quarta-feira, 20, um prospecto que revela dados interessantes sobre os negócios da empresa antes do processo de abertura de capital em bolsa (IPO).

A companhia liderada por Elon Musk reportou US$ 18,6 bilhões (aproximadamente R$ 93,5 bilhões) em receitas em 2025, alta de 33,2% ante 2024, com a Starlink representando 61,2% do faturamento no ano passado (a constelação soma 10,3 milhões de assinantes).

Apesar da alta nas receitas, a SpaceX registrou prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões em 2025 – no ano anterior, houve lucro de US$ 791 milhões.

Starlink puxa as receitas

No detalhamento das receitas, nota-se que o serviço de conectividade via satélite, oferecido pela Starlink, gerou US$ 11,4 bilhões em receitas em 2025, alta anual de 49,8%.

O faturamento da SpaceX também é composto pelos segmentos espacial (US$ 4 bilhões) e de Inteligência Artificial (US$ 3,2 bilhões).

O documento ainda indica que a Starlink obteve lucro operacional de US$ 4,42 bilhões e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de US$ 7,1 bilhões no ano passado, com os indicadores crescendo 120,4% e 86,2%, ano contra ano, respectivamente.

Segundo a SpaceX, os números da unidade de conectividade se beneficiam do "crescimento de assinantes, da crescente adoção empresarial e da melhoria contínua na eficiência da rede".

Mais de 10 milhões de assinantes

Conforme o documento enviado à SEC, a Starlink fechou 2025 com 8,9 milhões de assinantes em todo o mundo. Na prática, a operadora satelital mais do que dobrou a base em relação aos 4,4 milhões de clientes em 2024. Em 2023, a carteira registrava 2,3 milhões assinantes.

Inclusive, já no primeiro trimestre deste ano, a empresa registrou adição líquida de cerca de 1,4 milhão de acessos. Com isso, a Starlink encerrou março de 2026 com 10,3 milhões de clientes do seu serviço de conectividade via satélite.

O documento não traz dados por país, mas a empresa, em janeiro deste ano, indicou ter mais de 1 milhão de assinantes no Brasil – dados reportados à Anatel apontam uma base menor, na casa de 704,7 mil clientes até março, em função de diferenças metodológicas.

A receita média por usuário (ARPU), no entanto, não tem acompanhado o crescimento da base de clientes, diminuindo anualmente. Em 2025, o ARPU ficou em US$ 81, abaixo dos US$ 91, em 2024, e dos US$ 99, em 2023.

Nova queda foi conferida no primeiro trimestre de 2026, com o ARPU totalizando US$ 66.

Fatores de risco

O documento da SpaceX aponta alguns fatores de risco relacionados aos seus negócios, como o atraso no desenvolvimento de foguetes e satélites. Também afirma que a companhia ainda é "altamente dependente" dos serviços de seu CEO e fundador, Elon Musk.

Além disso, a companhia aeroespacial afirma que "a natureza global de nossos negócios apresenta riscos relacionados a regimes e autoridades jurídicas instáveis, maliciosas e arbitrárias".

Justamente neste trecho a empresa cita o Brasil, lembrando que, em agosto de 2024, a Starlink recebeu uma ordem de bloqueio de ativos financeiros do Supremo Tribunal Federal (STF), após um caso de violação da legislação brasileira por parte da rede social X.

Contudo, a SpaceX ressalta que, à época, o X não era uma de suas subsidiárias, mas um negócio isolado de Musk. A rede social foi consolidada apenas em fevereiro deste ano.

"É possível que fiquemos sujeitos a ações como a Apreensão de Bens no Brasil no futuro (seja no Brasil ou em outro país) e, independentemente de tal ação ser consistente com a legislação local e internacional, podemos nunca recuperar os bens apreendidos em qualquer ação semelhante", pontua a companhia, ao abordar riscos.