Durante o Web Summit 2026, no Rio de Janeiro, o Fórum Econômico Mundial me convidou a participar de uma discussão sobre como a inteligência artificial pode melhorar a produtividade na América Latina. Abordamos os investimentos do governo brasileiro em IA, a infraestrutura local de hardware no Rio de Janeiro, o papel das universidades na construção de capital humano e tecnologia, além de iniciativas para treinar grandes modelos de linguagem em conjuntos de dados em português e espanhol. Há um longo caminho a percorrer para que nossos países compitam nesse cenário, mas fico entusiasmado ao ver que estamos dando passos firmes rumo ao uso de novas tecnologias.
Contudo, ao focar na produtividade, senti falta de um aspecto importante na discussão: a segurança e a humanidade dos agentes de IA, que tocam diretamente o meu papel na Unico. Esses dois pontos podem não parecer relacionados à primeira vista, mas estão mais interconectados do que parecem. O CEO da Cloudflare postou recentemente que o tráfego automático agora supera o de humanos na web. A internet, a ferramenta que revolucionou a comunicação humana, pertence cada vez mais às máquinas, o que se tornará cada vez mais comum num futuro próximo.
Tire-me como exemplo, este ano, utilizei o Claude Desktop para preencher minha declaração de imposto de renda. Além disso, como não havia mesas disponíveis nos restaurantes do Rio de Janeiro no Dia dos Namorados, pedi ao OpenClaw que encontrasse um bom lugar para jantar com minha esposa no dia 12 de junho. Ambos me pouparam muito tempo e representam exatamente alguns dos casos de uso que o Fórum Econômico Mundial busca incentivar.
Na frente de segurança, a Unico observou um aumento superior à 1.000% nos ataques sofisticados de prova de vida em 2025. Em 2026, estamos bloqueando mais de 200 mil novas tentativas de ataque por mês. Todas são imagens de deepfakes geradas por IA. Os fraudadores utilizam os mesmos modelos que usamos para criar cenas realistas de filmes e voltá-los contra instituições financeiras. Como alguém que passou os últimos 15 anos desenvolvendo tecnologias antifraude, posso afirmar que o mundo está bem mais difícil para os profissionais de segurança cibernética.
Na Unico, reagimos de forma rápida e bem-sucedida: treinamos um modelo com dezenas de milhões de amostras de imagens de deepfake, implementamos medidas adicionais de segurança com informações de dispositivos e construímos modelos robustos de séries temporais que detectam ataques antes que a fraude ocorra. Isso prova que a detecção de prova de vida exige mais do que apenas um modelo forte em um servidor. Como qualquer outra disciplina antifraude, requer uma operação sólida.
Ingressei na Unico há quatro anos com a convicção de que minha experiência na construção de plataformas de combate ao abuso em larga escala no Google poderia ajudar a proteger o mercado brasileiro. Abuso e fraude são minha especialidade, e a construção de um sistema de identidade forte é a principal ferramenta da Unico para combatê-los. Mas, neste novo mundo dominado por bots, acredito que a antifraude e a segurança são apenas a ponta do iceberg. Não podemos negar a existência de agentes que atuam em nosso nome. A questão que permanece é: como saberemos que um humano é o responsável por aquela ação? Meus agentes agem com minha permissão; o perigo começa quando um bot reivindica uma permissão que nunca recebeu.
Provar que um humano existe por trás de uma conta é a parte mais fácil do problema. Vincular uma ação específica ao consentimento desse humano é muito mais difícil, e resolver esse desafio é onde os serviços de identidade, como o que a Unico oferece, tornam-se ainda mais relevantes nos próximos anos. Redes sociais, serviços financeiros, e-commerce e aplicativos de mensagens foram todos construídos antes desta onda de IA. Agora, eles exigem uma forte responsabilidade humana pelas ações que os bots realizam em nosso nome, bem como proteção contra agentes mal-intencionados que se passam por outros.
Na Unico, acreditamos que os humanos são o cerne de uma internet segura e utilizamos IA avançada para resolver este dilema da humanidade nessa nova era dominada por agentes. Também acreditamos que todos devem ser capazes de proteger seus sistemas com a mesma mentalidade utilizando nossas soluções. É a pequena contribuição da Unico para uma internet mais humana.
Bruno Fonseca, diretor sênior de engenharia da Unico
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há 1 hora
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