Anatel aponta necessidade de regionalizar data centers

há 1 mês 17

O superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel, Vinícius Caram, afirmou que o país precisa considerar telecomunicações como serviço essencial também nas políticas de calamidade, lembrando dificuldades enfrentadas por provedores no Rio Grande do Sul. Ele disse que a pandemia reforçou a centralidade das redes e que o setor ainda luta para ser priorizado em emergências. A informação foi divulgada durante debate na Anatel, nesta segunda-feira, 24. “A pandemia mostrou que sem telecomunicações todos os serviços ficam prejudicados se não tivesse essa resiliência e investimento.”

regionalizar data centers

Ele reforçou que a continuidade dos serviços depende da proteção da infraestrutura crítica e da forma como água, energia e telecomunicações se influenciam mutuamente. No caso específico dos data centers, Caram apontou que políticas públicas precisam reconhecer que a operação digital exige insumos básicos cujo fornecimento deve ser priorizado:

“Se eu tiver infelizmente um rompimento de cabo submarino, interrompe um serviço bancário ou de saúde. Então tem que se garantir a soberania”, observou.

PL 5003 entra no debate regulatório

Ao citar o PL 5003/25, Caram chamou atenção para a necessidade de regulamentar o uso de recursos hídricos por data centers, tema destacando também a dependência dessas estruturas em cenários de crise climática.

Caram também reforçou que 62% do tráfego de dados brasileiro ainda é processado fora do país e que a nova política nacional de data centers deve pulverizar e regionalizar a infraestrutura, reduzindo riscos sistêmicos. Para ele, concentrar capacidade em poucas regiões aumenta vulnerabilidade diante de eventos extremos e amplia desigualdades de acesso: “Onde eu investir em data center eu trago crescimento, trago eficiência, trago retorno.”

Caram encerrou destacando que o país precisa avançar na certificação prevista pela Resolução nº 780/2025 e integrar políticas de infraestrutura crítica ao planejamento nacional, garantindo que serviços digitais essenciais não sejam interrompidos em crises climáticas ou falhas setoriais.

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