Conectividade nas escolas: operadoras esbarram em desafios de coordenação

há 2 dias 3
 Claro diz que 46% das escolas pendentes não liberaram instalaçãoDiretora executiva da Claro Empresas, Maria Teresa Azevedo Lim. Imagem: Teletime

Operadoras de telecom que estão conectando escolas com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), do leilão 5G e de outras fontes têm enfrentado desafios de coordenação para ativar o serviço ao redor do País.

A Claro, por exemplo, ainda tem a missão de conectar 400 escolas. Desse total, 46% das unidades estão pendentes porque a empresa não teve liberação das secretarias municipais ou de direções escolares para receber a infraestrutura.

A declaração foi feita pela diretora executiva da Claro Empresas, Maria Teresa Azevedo Lima, durante o Seminário Educação Conectada, realizado pelo TELETIME em Brasília nesta terça-feira, 26.

Segundo resumiu a executiva, o principal desafio identificado pela empresa deixou de ser técnico e passou a envolver coordenação entre os entes públicos responsáveis pelas escolas.

A Claro informou ter sido selecionada para conectar 2,8 mil escolas públicas por meio do programa financiado pelo Fust. Segundo a companhia, 2,4 mil unidades já foram conectadas, beneficiando aproximadamente 1,2 milhão de estudantes.

Mais desafios

Além da falta de autorização, a operadora apontou outros obstáculos enfrentados durante a implantação da infraestrutura. De acordo com a Claro, 11% das escolas pendentes estavam em obras, desativadas ou indisponíveis para instalação.

A violência existente em algumas áreas do País é outra barreira. Do total de escolas pendentes de conexão pela Claro, 6% estão em áreas consideradas de alto risco"São escolas onde nossa equipe técnica não conseguiu chegar. São áreas comandadas por milícia e tráfico", disse a executiva.

Provedores

Provedores regionais como a Vero também relataram situações semelhantes em projetos financiados com recursos do Fust. O cenário seria distinto na aplicação de recursos do leilão 5G para educação conectada. 

Gerente de relações institucionais da Vero, Thamyris Gaida Alonso disse que neste caso, a presença da Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (Eace) ajuda a reduzir parte desses obstáculos ao centralizar a interlocução com os entes públicos.

EDU 9101

"Quando tem um agente como a Eace fazendo a intervenção com as escolas, esse ônus da interlocução não fica com o provedor", disse.

Já a Telebras afirmou que conseguiu conectar mais de 95% das 4.534 escolas previstas em seu contrato e disse que os casos pendentes envolvem principalmente problemas de energia, obras ou desativação das unidades.

Segundo a gerente de inclusão digital da estatal, Juliana Muller Reis Jorge, o modelo operacional adotado "funcionou muito bem".

Já o presidente da iuh! telecom, Laerte Magalhães, destacou que ainda existem problemas relacionados à qualidade das informações disponíveis sobre as escolas, especialmente em áreas rurais e municípios pequenos.

Segundo ele, muitas dificuldades poderiam ser reduzidas com melhoria nos cadastros e nos dados de localização das unidades escolares.

Resistência política

O diretor financeiro da Eace/Aprender Conectado, José Francivito Diniz, reconheceu que há casos de resistência política ou ideológica ao programa em algumas localidades, embora tenha afirmado que a maior parte dos municípios e estados colabora com a iniciativa.

"Você se depara com cidades que, por ideologia ou algum tipo de refração ao projeto, acabam criando dificuldades", comentou Diniz. Apesar disso, ele disse que, "via de regra", há "colaboração efetiva" dos governos locais.