O recente State of Play trouxe a público a revelação de God of War Laufey, o próximo capítulo da aclamada franquia da Sony Santa Monica. O título propõe uma mudança drástica de perspectiva, colocando os jogadores no papel de Laufey (ou Faye), a falecida esposa de Kratos, em combates contra divindades no Everywhen — o pós-vida dos deuses. No entanto, a recepção do anúncio não foi unânime, e as críticas mais contundentes vieram de ninguém menos que David Jaffe, criador do jogo original de 2005.
Durante uma transmissão ao vivo na qual reagiu ao evento da Sony, Jaffe não poupou palavras para demonstrar sua profunda desilusão com o rumo que a propriedade intelectual tomou. Conhecido por ser um crítico ferrenho da era nórdica da saga, o designer afirmou categoricamente que o projeto parece "desprovido de inspiração" e cravou um destino sombrio para o lançamento: "Está morto. Esse jogo não vai ir bem para o que esperam fazer".
Para o criador original da franquia, God of War Laufey falha em evocar os elementos fundamentais que consagraram a marca na indústria. Jaffe argumentou que os jogos originais da era grega se sustentavam em ganchos muito claros: a brutalidade de Kratos, a mitologia clássica identificável e altos níveis de violência gráfica.
Na visão dele, a nova produção se assemelha mais a "um livro de fantasia genérico" ou a produções cinematográficas da Disney e da Marvel do que a um título tradicional da Santa Monica. O ex-desenvolvedor desabafou:
Perderam a violência e o sangue dos primeiros jogos, perderam o personagem — já o perderam após 2018 pois mudou tanto que já não era o Kratos —, perderam agora a mitologia identificável"
O designer chegou a comparar a atmosfera do trailer com o criticado Forspoken, da Square Enix, mencionando que a revelação carece de originalidade em suas mecânicas e conceitos visuais. Segundo ele, o interesse do público existe única e exclusivamente pelo peso do nome estampado na capa: "Se tirassem o nome do título, ninguém estaria falando dele".
Distante do desenvolvimento ativo da série há mais de uma década, Jaffe teorizou sobre o ambiente de trabalho dentro do estúdio da Sony. Ele elogiou o talento de Cory Barlog, diretor do reboot de 2018, classificando-o como um escritor e diretor brilhante, mas sugeriu que as lideranças criativas podem estar sob amarras comerciais da distribuidora.
Na sua visão, o estúdio parece ter sido forçado a encaixar novas ideias e conceitos originais dentro do universo de God of War simplesmente porque a Sony não liberaria orçamento para uma nova propriedade intelectual (IP).
O histórico de Jaffe com a vertente moderna da série é complexo. Embora tenha elogiado as inovações estruturais trazidas no título de 2018, ele considerou que a fórmula deu sinais claros de desgaste em God of War Ragnarok (2022). As reclamações anteriores do criador envolvem a humanização excessiva de Kratos, a transição de uma narrativa puramente cinematográfica e bombástica para um ritmo mais lento, e a construção de Atreus, a quem já descreveu como um "péssimo personagem".
Apesar das fortes declarações de Jaffe, os dados históricos da franquia jogam a favor da atual liderança da Santa Monica. A reimaginação de 2018 ostenta uma média histórica de 94 pontos no Metacritic, acompanhada por uma avaliação de 9.4 para Ragnarok. Ambos os títulos figuram frequentemente em listas de melhores jogos de todos os tempos, indicando que a comunidade de jogadores, em sua maioria, abraçou o tom adotado pela marca.
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