Data centers espaciais elevam desafio de sustentabilidade orbital

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Data centersGerente de dinâmica orbital da Claro Brasil, Erika Rossetto. Imagem: Danilo Paulo/Teletime

O avanço de novas aplicações espaciais, como data centers em órbita, tende a aumentar a complexidade da gestão do ambiente orbital e da sustentabilidade das operações espaciais.

A avaliação foi feita pela gerente de dinâmica orbital da Claro Brasil, Erika Rossetto, durante painel realizado nesta terça-feira, 9, no Web Summit Rio.

A executiva, que é uma das principais especialistas brasileiras no tema de sustentabilidade espacial e  diretora da Space Data Association, notou que o setor vive uma nova fase de expansão, impulsionada por projetos que vão além das telecomunicações tradicionais. "Nós já estamos falando de data center espacial", disse Rossetto, em referência ao ambicioso plano da SpaceX de lançar até um milhão de satélites de baixa órbita projetados para operar uma rede de processamento de dados no espaço, para suportar ferramentas de inteligência artificial (IA). 

Segundo ela, a chegada de novas aplicações como estas tornam o cenário orbital "muito mais crítico e mais complexo". Na avaliação da executiva, o crescimento dessas iniciativas se soma à expansão das constelações de satélites e aos planos de exploração lunar e marciana.

"Só para se ter uma ideia, a maior parte dos objetos que a gente tem em volta da Terra está concentrado em órbita baixa. Hoje, a principal constelação que está em órbita que é a Starlink, da americana SpaceX. Ela tem mais de 10 mil objetos já em órbita. Ou seja, mais de três quartos dos objetos em torno da Terra pertence à mesma empresa", disse.

Rossetto afirmou que a resposta para esse cenário passa por maior coordenação entre operadores, governos e organismos internacionais. 

"O ponto chave para a gente continuar trabalhando nesse sentido é o trabalho colaborativo", disse. Ela também defendeu a necessidade de compartilhamento de dados e de ações conjuntas para garantir a segurança das operações espaciais.

Limpeza orbital

"Apesar dos grandes desafios, várias soluções inovadoras, com muita tecnologia, têm surgido", afirmou a gerente de dinâmica orbital da Claro Brasil. Ela destacou projetos voltados à remoção de detritos espaciais e à reciclagem de materiais em órbita, que estão avançando como alternativas para enfrentar os desafios da sustentabilidade espacial.

Um dos exemplos mencionados foi o Clean Space, apoiado pela Agência Espacial Europeia (ESA). "A missão desse projeto é tirar objetos grandes do espaço para trazê-los de volta para a Terra de forma segura, para evitar que eles sejam fontes de novas gerações de detritos espaciais". A iniciativa está em fase de testes.

"Já a proposta da Orbital Recycling é fazer a coleta do lixo espacial que está em volta da Terra", explicou a executiva, em referência a uma empresa alemã do segmento.

O objetivo, detalhou Rossetto, seria "usar esse material para ser reciclado e ser utilizado como matéria-prima para construção de uma base lunar", em linha com projetos que preveem a utilização da Lua como plataforma para a exploração espacial.

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