Às vezes, parece que mais nada mais é perene no mundo, especialmente no nosso mundo da tecnologia. Ideias, tendências e tecnologias mudam a cada instante; empresas que eram líderes são superadas por menores e mais ágeis; nosso conhecimento e experiência sofrem para se reposicionar a cada instante. E a cada momento a velocidade aumenta, pois estamos acelerando.
Neste contexto, o que fazer? Qual é, afinal, nossa missão como profissional de tecnologia, o que nos orienta e como podemos, ao menos, acompanhar este processo – quiçá liderar esta evolução em nossas empresas?
A resposta é simples, e por isso mesmo não deve estar errada: não é sobre tecnologia. Já foi sobre ela quando éramos apoio à operação de nossas empresas. Faz tempo, mas já foi assim. Agora, é sobre o negócio de nossas empresas. E não estou sugerindo você entender o negócio de sua empresa, estou falando de entender que o seu trabalho é o negócio da sua empresa. Pois, todas elas devem ter, em tecnologia, o núcleo de sua atuação. Se não é assim, sugiro seguir sua carreira em outro lugar.
Não há um segmento da economia pública ou privada, por mais tradicional que seja, que não tenha sido radicalmente impactado pelas tecnologias digitais. Não se trata de ferramentas que melhorem a operação, as vendas, o marketing ou o suporte: estamos falando na virada completa que todos os setores vivem ao abraçar esta revolução. Quem não participa, literalmente, desaparece. É sobre recriar o que sua empresa faz do zero.
Por isso, a missão do profissional de tecnologia deve ser revisitada radicalmente. Não é mais sobre operar, é sobre liderar. Não é sobre prover, é sobre inspirar. Não é sobre reagir, é sobre dar ritmo. São grandes mudanças que todos imaginávamos quando decidimos esta profissão e elas estão acontecendo agora.
Mas como um profissional de tecnologia – tipicamente uma pessoa com grande conhecimento de tecnologias, processos e muito pouco conhecimento de negócios, pessoas, marketing, vendas, finanças – consegue se reposicionar pelo negócio das empresas? Aí está o desafio. Vejam, não estou falando de Cloud, Dados, IA agêntica, nada disso. A reflexão é sobre o reposicionamento obrigatório para nos mantermos relevantes.
Não espere que eu tenha a solução neste artigo, pois não existe uma bala de prata aqui. Mas o que eu aprendi acompanhando a carreira de centenas de profissionais nos últimos anos – e décadas -, é isso:
- Tecnologia é sedutora – resista bravamente, você precisa abraçar o negócio;
- Não há valor agregado na operação de tecnologia, terceirize já;
- Reconheça no seu time quais são os potenciais profissionais que vão te acompanhar na jornada;
- Estabeleça vitórias rápidas (quick wins) para conquistar a confiança da empresa;
- Busque soluções que resolvam problemas reais e que tenham consequências mensuráveis e impactantes para o negócio;
- Não seja o dono da verdade, isto não funciona mais – se é que já funcionou. Conte com especialistas e tenha um grupo de confiança;
- Pense no cenário completo: como sua empresa vai se posicionar com tecnologias digitais nos próximos anos;
- Conquiste a confiança de todo o organograma, formal ou não.
Vivemos momentos decisivos de nossas carreiras. Isto requer focar no que realmente importa e não nos hypes que criamos.
Maurício Fernandes, CEO da Dedalus.
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há 21 horas
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