IA e data centers vão redefinir conectividade terrestre na América Latina

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A inteligência artificial e a demanda por data centers devem remodelar a infraestrutura física de conectividade na América Latina. É o que destaca um relatório elaborado pela fornecedora de soluções ópticas Ciena.

Impulsionada pela adoção acelerada de aplicações de IA generativa, treinamento de grandes modelos de linguagem (LLMs) e inferência em larga escala, a região viverá uma corrida inédita por conectividade e capacidade computacional, indica a multinacional.

Segundo a Ciena, a convergência entre inteligência artificial, data centers e conectividade coloca a América Latina em um momento decisivo. A perspectiva de investimentos expõe a urgência de fortalecer a conectividade transfronteiriça e a infraestrutura de backbone, baseada em redes de fibra óptica e tecnologias ópticas avançadas.

O relatório destaca que, para os operadores de telecomunicações, o cenário representa uma oportunidade de monetizar ativos de fibra e assumir um papel central na economia da IA. Já para governos e reguladores, o desafio será criar condições para investimentos que se traduzam em desenvolvimento econômico.

Aplicações multimodais, treinamento distribuído de modelos e inferência em tempo real seriam alguns dos fatores que já estão elevando exponencialmente a necessidade de largura de banda. Pesquisas indicam que a demanda por interconexão entre data centers (DCI) deve crescer ao menos seis vezes nos próximos cinco anos.

Na prática, isso significa a transição de redes corporativas e de backbone de 100 Gb/s para 400 Gb/s, 800 Gb/s e, em alguns casos, até 1,6 Tb/s por comprimento de onda, afirma a Ciena.

Outro movimento relevante é a mudança na geografia dos data centers. Novas instalações estão sendo construídas em regiões com maior disponibilidade de energia renovável e menor custo de terreno, o que exige a criação das rotas de fibra óptica de altíssima capacidade para conectar locais remotos a grandes centros urbanos e polos de consumo de dados.

Em conjunto com as redes terrestres, os cabos submarinos surgem como elemento estratégico para a integração regional e internacional, conectando a América Latina aos principais mercados globais de nuvem e conteúdo.

Impacto no PIB

Estudos globais reforçam o impacto da IA na economia. Segundo a PwC, a tecnologia pode elevar o PIB mundial em até 15% até 2035, adicionando cerca de 1% ao crescimento anual. Na América Latina, o potencial é expressivo: a consultoria estima um aumento de 5,4% no PIB regional até 2030, o equivalente a aproximadamente US$ 500 bilhões.

Atualmente, a América Latina contaria com quase 500 data centers, concentrados majoritariamente em cinco países: Brasil, Chile, México, Colômbia e Argentina. O Brasil lidera com folga, concentrando mais de 41% dos investimentos, indicam dados da Datacentermap compilados pela Ciena.

México e Chile aparecem na sequência, impulsionados por polos estratégicos como Querétaro e Santiago, enquanto a Argentina se destaca pela conectividade internacional, com sete cabos submarinos operacionais.

O avanço da IA também colocou a América Latina no radar dos grandes hyperscalers globais. Anúncios públicos de empresas como AWS, Microsoft e Google, somados a investimentos de players regionais e fundos de infraestrutura, indicam que os aportes previstos para os próximos 15 anos podem ultrapassar US$ 27 bilhões.

Trabalho em curso

A Ciena relata que operadores e provedores já estão acelerando a adoção de tecnologias ópticas de última geração, inclusive com soluções coerentes avançadas que já permitem transmissões superiores a 1 Tb/s por comprimento de onda em longas distâncias.

No Brasil, testes comerciais alcançaram 1,1 Tb/s em enlaces de 800 quilômetros, demonstrando o potencial de maximização dos ativos de fibra existentes, afirma a fornecedora de tecnologias ópticas.

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