Infraestrutura é entrave para veículo inteligente no Brasil, afirma Anfavea

há 1 dia 4
anfaveaFoto: Pixabay

A conectividade no sistema viário brasileiro ainda é encarada como entrave para o desenvolvimento dos veículos inteligentes – e futuramente, autônomos – no País. É o que avaliou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) durante o evento Anfavea Visions encerrado nesta quarta-feira, 10.

"Se você imaginar que no Brasil hoje menos de 15% das estradas tem conectividade, você tem que ter o máximo da inteligência artificial embarcada no próprio veículo ou o próprio veículo gerando sua conectividade", afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet, em debate sobre nova arquitetura da mobilidade demandada pelo setor.

Nas rodovias a questão seria especialmente sensível para caminhões e logística, embora mesmo nas cidades persista a questão da lacuna de infraestrutura (e não apenas de telecomunicações, mas também viária), nota Calvet.

"Ao contrário de muitos países, sobretudo os mais desenvolvidos, no Brasil há um retardamento da entrada no mercado de alguns tipos de produto por falta de infraestrutura adequada", afirmou o presidente da Anfavea, ao ser questionado sobre a preparação do mercado nacional para tecnologias avançadas de autonomia veicular.

Já para Eduard Folch, presidente da Allianz Brasil, é questão de tempo para que tecnologias como carros autônomos desembarquem em grandes cidades como São Paulo. "Em algum momento isso vai chegar", declarou o executivo da gigante dos seguros – que acompanha atentamente a evolução do debate regulatório sobre o tema em mercados como Estados Unidos e Europa.

Carro como borda de rede

Durante o mesmo evento, Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm para a América Latina, também compartilhou a visão do carro como parte integrante da rede, e não apenas conectado à ela.

"O carro vai receber atualizações over-the-air e respostas da rede, mas também mandar respostas do que está acontecendo com ele e tomar várias decisões locais que vão ser tão importantes quanto às da rede", afirmou Tonisi, sobre a possibilidade de rodar o processamento de tecnologias como IA diretamente nos veículos.

Para o executivo, os carros atuais já se tornaram "computadores de quatro rodas". Com a evolução da comunicação V2X (veículo com tudo ao seu redor), a tendência é que se tornem hubs de serviços digitais.

A própria Qualcomm tem forte presença no segmento e tecnologia embarcada em cerca de 400 milhões de veículos no mundo, habilitando recursos como conectividade, telemática e infoentretenimento.