
O crescimento das conexões de internet das coisas (IoT) e comunicação máquina a máquina (M2M) já supera com folga a expansão da telefonia móvel tradicional no Brasil. Segundo Thiago Pinheiro, gerente de Produtos e Novos Negócios da Telecall, o país registrou 366 mil novas ativações de celulares em 2025, ante 6,4 milhões de novas conexões IoT e M2M no mesmo período. A comparação foi apresentada no keynote “5G, IoT & Redes Privativas: A Espinha Dorsal para Cidades Inteligentes”, realizado no Smart Cities Mundi 2026.
“Em 2025, no Brasil, ocorreram 366 mil novas ativações de celulares. Enquanto no mesmo período, ocorreram 6.4 milhões em dispositivos IoT e M2M”, afirmou o executivo. “Estamos falando aqui de uma diferença na ordem de grandeza de 17 vezes.”
Segundo ele, o dado indica a direção da demanda futura sobre as redes. “Isso aqui diz muito sobre o que vai ser o futuro, para onde as estruturas e redes de telecomunicações vão crescer e vão ter que se preparar para o amanhã”, disse.
O executivo também citou estimativas para cidades inteligentes. Segundo ele, estudo do BNDES prevê R$ 48 bilhões em investimentos no Brasil até 2030, considerando setor público e parcerias público-privadas. No mercado global, a projeção mencionada foi de US$ 2,5 trilhões até 2030.
Quatro camadas em IoT
Para a Telecall, a “espinha dorsal” das cidades inteligentes envolve quatro camadas. A primeira é a infraestrutura física, composta por torres, fibra óptica, data centers e energia. A segunda camada é a tecnologia de conectividade. Pinheiro citou 4G, 5G, satélite e redes privativas como alternativas que devem ser escolhidas conforme a aplicação.
“A primeira de tudo é a infraestrutura em si, aquela parte mais pesada. Estamos falando de torre, de fibra, de data center. A parte de energia também é muito importante. Existe tecnologia que atende de acordo com a necessidade da aplicação. Tem aplicação que vai trabalhar melhor em 4G, tem aplicação que vai trabalhar melhor com satélite, ou aplicação que você precisa de uma rede privativa”, disse.
A terceira camada é a gestão de serviços, com integração entre sistemas. E a quarta é formada pelas aplicações usadas por governos, empresas e cidadãos.
Integração define valor
O executivo afirmou que a instalação isolada de equipamentos não basta para caracterizar uma cidade inteligente. Segundo ele, sensores, câmeras, redes, iluminação pública, transporte monitorado e plataformas precisam operar de forma integrada.
“Imagine ter 20 mil câmeras, mas não conectadas a nada, não faz reconhecimento facial. Ela só é uma câmera”, afirmou. Para ele, a ausência de integração reduz o valor dos investimentos. “Sem essa integração, a gente perde muito valor nessa cadeia”, disse.
Ele citou o exemplo de uma cidade em que redes Wi-Fi, ambulâncias conectadas por satélite, antenas 4G e 5G, monitoramento de BRT, iluminação pública conectada, câmeras de vigilância e fibra óptica operam simultaneamente. “Tudo isso acontece ao mesmo tempo e isso precisa ter uma gestão, uma integração para que esses serviços não se colidam e possamos entregar para o cliente final, o cidadão, o valor que tanto é desejado”, afirmou.
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