IoT em 2025: do fantasma da insegurança fiscal à consolidação de um mercado estratégico

há 2 semanas 25

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O setor de Internet das Coisas (IoT) iniciou 2025 sob o impacto de um fantasma que rondou todo o ecossistema: a insegurança provocada pela possibilidade de não prorrogação dos incentivos fiscais concedidos a equipamentos e soluções inteligentes no Brasil. A política de incentivo sempre foi considerada um dos pilares para o desenvolvimento da IoT no país. Ao reduzir a carga tributária sobre dispositivos e infraestrutura, o mecanismo tornou viáveis projetos de grande escala, especialmente em setores intensivos em capilaridade e longo prazo, como saneamento, energia, agronegócio, logística e cidades inteligentes. Sem previsibilidade fiscal, iniciativas que dependem de milhares ou milhões de sensores conectados perdem atratividade econômica, comprometendo retorno sobre investimento e sustentabilidade dos modelos de negócio.

Crescimento apesar da incerteza

Mesmo diante da insegurança sobre os incentivos fiscais no Brasil, o setor não deixou de se movimentar e amadurecer ao longo de 2025. No cenário local, a incerteza regulatória em torno da prorrogação dos incentivos fiscais trouxe cautela ao mercado. Entidades do setor alertaram que a falta de previsibilidade compromete a sustentabilidade econômica de projetos de IoT, especialmente aqueles de grande escala e retorno de longo prazo, levando empresas a reavaliar cronogramas e estratégias de investimento.

Paralelamente, em nível global, o mercado de IoT seguiu mostrando sinais de expansão, reforçando o potencial de crescimento do setor no médio e longo prazo. Estudos publicados ao longo do ano indicaram que o mercado global de AIoT – a convergência entre Internet das Coisas e inteligência artificial — deve movimentar cerca de US$ 81 bilhões até 2030, reflexo da maior maturidade de casos de uso, do crescente valor dos dados conectados e da busca por automação inteligente em indústrias, utilities, logística e cidades. Separar essas duas dimensões  a incerteza regulatória local e as projeções globais de mercado  ajuda a entender que, enquanto o Brasil enfrentava desafios de política pública, o setor mundial consolidava sua importância estratégica.

Satélites, agro e novas fronteiras de conectividade

Ao longo do ano, a IoT via satélite consolidou-se como vetor essencial para a inclusão digital de regiões afastadas dos grandes centros. Novas plataformas e modelos híbridos permitiram a ampliação de projetos no agronegócio, mineração e monitoramento ambiental. Iniciativas que levaram conectividade 4G e redes IoT a mais de 30 mil hectares de áreas agrícolas evidenciaram o papel da tecnologia na produtividade e rastreabilidade.

O avanço também se refletiu na diversificação de aplicações, que passaram a abranger desde manutenção de ativos e seguros até soluções específicas para o setor pecuário, com dispositivos de baixo consumo energético e conectividade de longa distância.

Consolidação, normas e profissionalização

O amadurecimento do mercado em 2025 ficou evidente nos movimentos de consolidação e nas parcerias estratégicas. Aquisições envolvendo fornecedores de IoT reforçaram a busca por escala e presença internacional, enquanto acordos entre operadoras ampliaram a oferta de conectividade e serviços gerenciados.

No campo técnico, a publicação da terceira norma brasileira de IoT pela ABNT, com foco em arquitetura de referência, representou um avanço relevante para padronização, interoperabilidade e segurança – temas cada vez mais críticos à medida que os projetos ganham escala e complexidade.

A virada com a prorrogação do incentivo

O ponto de inflexão do ano veio com a aprovação da prorrogação dos incentivos fiscais à IoT, após meses de mobilização de entidades do setor, operadoras e associações. A decisão foi comemorada como fundamental para devolver previsibilidade ao mercado e destravar investimentos represados ao longo do primeiro semestre.

Mais do que um alívio momentâneo, a prorrogação foi interpretada como um sinal de reconhecimento do papel estratégico da IoT para a digitalização da economia brasileira. Ao encerrar 2025 com o incentivo garantido, o setor entra em um novo ciclo, no qual o desafio deixa de ser apenas conectar coisas, mas transformar dados em eficiência, inteligência e valor sustentável para negócios e sociedade.

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